Em dois anos, a desigualdade salarial de gênero no Brasil não apresentou redução. O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado nesta segunda-feira, aponta que mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que homens em empresas privadas com 100 ou mais empregados.
Apesar do aumento da participação feminina no mercado de trabalho, a diferença salarial mediana entre 2023 e 2025 permaneceu estável. Em 2023, mulheres ganhavam 13,7% a menos; em 2025, a diferença foi de 14,3%, considerada insuficiente para mudança estatística relevante.
Mais mulheres contratadas
O Ministério do Trabalho e Emprego reuniu dados de mais de 50 mil estabelecimentos com 100+ trabalhadores. O total de mulheres empregadas subiu 11%, de 7,2 milhões para 8 milhões. Entre mulheres negras, o crescimento chegou a 29%, de 3,2 milhões para 4,2 milhões.
O levantamento também aponta avanço na contratação de mulheres indígenas, subindo de 8,2% em 2023 para 11,2% em 2025, e de mulheres vítimas de violência, de 5,5% para 10,5%. Contratações de mulheres com deficiência, LGBTQIA+ e chefes de família permaneceram estáveis.
Desigualdade salarial e políticas internas
Apesar da estabilidade salarial, houve aumento no número de estabelecimentos com menor diferença de remuneração. Empresas com até 5% de diferença no salário mediano cresceram 3,8%, para cerca de 30 mil. As com diferença de até 5% no rendimento médio subiram 4,3%, para 17,4 mil.
Houve também avanços em políticas internas entre 2023 e 2025. A oferta de jornada flexível subiu de 40,6% para 53,9%. O auxílio-creche alcançou 38,4%, com aumentos em licenças-maternidade e paternidade, planos de cargos e salários e metas de produção.
Topologias regionais de desigualdade
Estados com menor desigualdade salarial são: Acre, Piauí, Distrito Federal, Ceará, Pernambuco, Alagoas e Amapá. Entre os que apresentam maior diferenciação entre salários de homens e mulheres estão Espírito Santo, Rio de Janeiro e Paraná.
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