A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu nesta quarta-feira (2) que o governo brasileiro adote medidas contra embargo da União Europeia à carne brasileira.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) pediu nesta quarta-feira (2) que o governo brasileiro adote medidas contra embargo da União Europeia à carne brasileira.
A entidade também solicitou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) uma investigação sobre a qualidade do azeite de oliva importado e comercializado no Brasil.
Em ofício enviado ao Itamaraty, o presidente da CNA, João Martins, pediu o acionamento do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões (MRC) por causa da decisão europeia de barrar produtos de origem animal do Brasil.
Segundo a CNA, o mecanismo permitiria ao Brasil exigir compensações equivalentes para restaurar o equilíbrio comercial, incluindo a suspensão de concessões tarifárias concedidas à União Europeia.
+União Europeia suspende importações de carne brasileira nesta quinta-feira (3)
A União Europeia confirmou que suspenderá as importações de carnes do Brasil a partir de quinta-feira (3). O bloco afirma que o país não conseguiu garantir o cumprimento das normas europeias sobre o uso de substâncias antimicrobianas.
A CNA baseia o pedido nos prejuízos que o setor agropecuário brasileiro pode sofrer com o embargo. No ano passado, considerando apenas carnes bovina e de frango, o Brasil exportou cerca de US$ 1,8 bilhão à União Europeia, segundo dados do governo.
Entidade pede apuração sobre azeites
Em outra frente, a CNA pediu ao Ministério da Agricultura uma investigação sobre azeites de oliva importados e vendidos no Brasil.
A nota da entidade sobre o tema não menciona diretamente a União Europeia. No entanto, 89% das quase 90 mil toneladas de azeite importadas pelo Brasil em 2025 vieram do bloco europeu, principalmente de Portugal, Espanha e Itália.
No ofício enviado ao ministro da Agricultura, André de Paula, a CNA pede que sejam apuradas possíveis divergências entre a classificação declarada na importação e as características verificadas nos produtos comercializados no país.
O foco da investigação seria o cumprimento dos padrões de identidade, qualidade e classificação previstos na legislação brasileira, especialmente nos produtos vendidos como extravirgens.
“A entrada de produtos que não correspondam à classificação declarada pode conferir vantagem indevida aos importadores e comprometer a valorização da produção nacional”, afirmou a CNA no ofício.
Apesar do peso comercial menor em relação às carnes, o mercado de azeite também envolve valores relevantes. Em 2025, o Brasil importou da União Europeia o equivalente a US$ 540 milhões em azeites.
Procurados, os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores não comentaram o assunto imediatamente.
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