O setor aéreo europeu teme o impacto da alta dos combustíveis sobre custos e tarifas. Companhias da UE e do Reino Unido pressionam Bruxelas e Londres a rever uma série de regras, incluindo a franquia de bagagem gratuita. A pandemia já alterou o equilíbrio financeiro, e a crise atual agrava o desafio.
Provedores de passagens apontam que medidas como a franquia de duas bagagens de mão limitariam a capacidade de as empresas enfrentarem o aumento de preços. Lobistas argumentam que regras de compensação, taxas ambientais e regras de serviço ao passageiro elevam custos operacionais.
Trecho da pressão se intensifica com comentários de executivos e resultados recentes de companhias. A EasyJet prevê prejuízo maior no trimestre de primavera; a Lufthansa cancelou cerca de 20 mil voos; a Virgin Atlantic sinaliza dificuldade de lucratividade neste ano. Diversas empresas pedem igualdade de condições competitivas.
Entre as propostas em debate, está a possibilidade de os passageiros levarem gratuitamente uma segunda bagagem maior a bordo. Algumas companhias já adotam essa regra, mas o setor teme que isso eleve preços e prejudique modelos com giro rápido de aeronaves.
O setor defende ainda flexibilizar regras de tankering, que impedem o abastecimento com combustível barato fora da região. Em carta publicada, o grupo Airlines 4 Europe pediu suspensão temporária dessas regras para enfrentar a crise. A ideia é reduzir inseguranças operacionais frente à volatilidade de custos.
Mudanças também são solicitadas nas regras de compensação por voos cancelados e nos critérios de uso de slots aeroportuários. Parlamentares discutem ajustes para reduzir impactos financeiros sobre as empresas sem prejudicar direitos dos passageiros.
No Reino Unido, o governo informou que pode permitir isenções da regra use ou perca de slots quando a escassez de combustível inviabilizar voos. Em Bruxelas, autoridades resistem a mudanças amplas, ainda que reconheçam necessidade de ajustes temporários.
Políticos europeus destacam que o setor sustenta mais de 5 milhões de empregos na região. O comissário de transportes Apostolos Tzitzikostas afirmou que haverá flexibilidades temporárias em slots, tankering, serviços públicos e direitos dos passageiros, se a crise persistir, sem orientar mudanças no comportamento de viagem dos cidadãos.
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