O Desenrola 2.0 pode oferecer alívio das dívidas apenas no curto prazo se não houver mudanças estruturais. A análise é de Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, apresentada no programa Mercado Aberto, do Canal UOL. O enfoque é de que o programa não resolve as causas do endividamento e pode virar uma prática recorrente.
Ribeiro ressaltou que a adesão das instituições financeiras foi ponto crítico na primeira versão. Ela cita a elevada inadimplência familiar, em 49,9%, como entrave para que os bancos participem da renegociação em larga escala.
Segundo a economista, a repetição do Desenrola pode integrar a dinâmica econômica caso o endividamento se acelere novamente sem mudanças profundas. Ela cita a necessidade de maior educação financeira e de redução de gastos fiscais e de juros como medidas estruturais.
A análise também aponta que, segundo o gráfico da Tendências, a renda dos brasileiros tem aumentado nos últimos anos, mas o recurso disponível para consumo após as contas fica em torno de 20% da receita. Isso ocorre diante do aumento de entrada no sistema financeiro sem compreensão real dos juros.
Riscos e adesão bancária
A especialista afirma que o desafio central é evitar que o programa se repita sem mudanças estruturais. O cenário atual demanda adesão ampla dos bancos para que haja alívio relevante no curto prazo, ainda que persista a necessidade de educação financeira.
A observação destaca ainda que a falta de educação econômica entre os consumidores pode levar a um acúmulo de empréstimos sem entendimento claro dos custos de financiamentos. Esses fatores são apontados como problemas de base que precisam de atenção.
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