Os juros cobrados das famílias voltaram a subir em agosto, ao mesmo tempo em que a inadimplência avançou, mostram dados divulgados nesta terça-feira (29) pelo Banco Central (BC). A taxa média do crédito livre às pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano, alta de 1,4 ponto percentual em apenas um mês.
Em 12 meses, a taxa aumentou 2,9 pontos percentuais. Entre as modalidades que ficaram mais caras em agosto está o cartão de crédito rotativo, cujos juros subiram 8,7 pontos percentuais em relação a julho. No cartão parcelado, o aumento foi de 2,8 pontos.
🔎 O chamado “crédito livre” reúne empréstimos e financiamentos com taxas negociadas livremente entre as instituições financeiras e os clientes. Entram nessa categoria modalidades comuns no dia a dia, como cartão de crédito e crédito pessoal. 🔎
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A inadimplência das pessoas físicas chegou a 6% em agosto, considerando todos os empréstimos e financiamentos concedidos pelo Sistema Financeiro Nacional. O percentual aumentou 0,2 ponto percentual em relação a julho e 1,1 ponto percentual em 12 meses.
Quando são consideradas apenas as modalidades de crédito livre, nas quais estão o cartão de crédito e o crédito pessoal, a inadimplência das famílias é ainda maior: 8% das operações estavam inadimplentes em agosto, também com alta de 0,2 ponto percentual no mês e de 1 ponto percentual em 12 meses.
Famílias estão pegando mais crédito
Mesmo com os juros elevados, o volume de crédito concedido às famílias continua crescendo. O total de empréstimos e financiamentos destinados às pessoas físicas chegou a R$ 4,7 trilhões em agosto, avanço de 0,8% em relação a julho e de 10,5% em 12 meses.
O Banco Central aponta que parte desse crescimento veio de modalidades como financiamento de veículos, cartão de crédito rotativo e empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado, que incluem as operações do programa Crédito do Trabalhador.
Na prática, os números mostram que as famílias estão recorrendo mais ao crédito em um momento em que os empréstimos estão mais caros e os atrasos nos pagamentos também aumentaram.
Endividamento chega a 49,9%
Outro indicador divulgado pelo Banco Central mostra que o endividamento das famílias chegou a 49,9% em julho, dado mais recente disponível. O percentual aumentou 0,2 ponto em relação a junho e 1,1 ponto em 12 meses.
🔎Esse indicador não significa que 49,9% das famílias brasileiras estejam endividadas. Ele compara o valor das dívidas com a renda anual das famílias, permitindo acompanhar o peso do endividamento sobre a capacidade financeira dos brasileiros.🔎
Já o comprometimento da renda, indicador que ajuda a mostrar quanto da renda das famílias é destinado ao pagamento das dívidas, ficou em 28,7%. O percentual permaneceu estável na comparação mensal, mas aumentou 1,4 ponto percentual em um ano.
Crédito movimenta R$ 7,4 trilhões
No conjunto da economia, o saldo dos empréstimos e financiamentos concedidos pelo Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,4 trilhões em agosto, crescimento de 0,5% no mês.
Desse total, R$ 4,7 trilhões correspondem às operações com pessoas físicas e R$ 2,7 trilhões às empresas. Em 12 meses, o volume total de crédito cresceu 9,2%, segundo o Banco Central.
A taxa média de juros considerando todas as novas operações de crédito ficou em 32,3% ao ano, aumento de 0,2 ponto percentual em agosto. Nas modalidades em que as instituições financeiras têm maior liberdade para estabelecer as condições dos empréstimos, a taxa média, considerando famílias e empresas, chegou a 48,5% ao ano.
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