O dinheiro que sobra no fim do mês diminuiu, indicando que o orçamento das famílias está mais pressionado. Em fevereiro, a renda disponível caiu para 21% da renda, segundo Tendências Consultoria, com divulgação pelo Valor Econômico. Em janeiro de 2024, o indicador estava em 23,6%.
A redução da sobra ocorre mesmo com o mercado de trabalho aquecido. O endividamento alcançou 49,9% como nível histórico, e cerca de 30% da renda mensal é destinada ao pagamento de dívidas e juros.
A elevação dos juros também pesa. Com a Selic em 14,75%, o crédito ficou mais caro e restrito, levando bancos a serem mais seletivos e famílias a recorrerem a opções mais caras, como cartão de crédito e cheque especial.
O custo de vida continua pressionando o orçamento. Itens essenciais, como energia, aluguel e alimentação, consomem boa parte da renda, mesmo quando a inflação geral está sob controle. O básico ganha prioridade sobre o consumo.
A percepção dos brasileiros confirma o cenário: 59% consideram a renda insuficiente para cobrir despesas básicas, segundo Datafolha. Além disso, 45% buscaram renda extra nos últimos meses para fechar as contas.
O paradoxo fica evidente: o desemprego está em 5,8%, ainda baixo, mas não há poder de compra suficiente para sustentar o consumo além do essencial. O aperto orçamentário impacta varejo, serviços e o crescimento econômico.
O efeito (ou cascata) envolve toda a economia. Com o consumidor reduzindo gastos, o comércio desacelera, o setor de serviços perde fôlego e o país pode enfrentar um crescimento mais contido.
Em síntese, trata-se de um problema de equilíbrio financeiro. Quando a sobra do dinheiro some, o consumo freia e o ciclo macroeconômico fica restrito, impactando resultados de curto e médio prazos.
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