O espaço para cortes da Selic, avaliado pelo ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, está próximos de se esgotar diante do ambiente externo incerto. Segundo Loyola, um segundo recuo de 0,25 ponto percentual ainda é possível, mas tende a frear.
Com o cenário global volátil, o Copom deve adotar maior cautela e sinalizar pausa para junho, mantendo a possibilidade de retomar a flexibilização no restante do ano. A inflação e choques externos influenciam a postura.
Loyola aponta que a trajetória de cortes não é tão previsível quanto parecia há um mês, e não seria surpreendente se o BC não reduzisse a Selic na próxima reunião. O conflito no Oriente Médio aumenta a volatilidade.
Ao longo de 2024, o BC vem enfrentando um balanço de riscos que, para o ex-presidente, piorou desde a última reunião. Inflação mais pressionada e atividade econômica que ainda superou expectativas influenciam a decisão.
Paralelamente, o governo Lula mantém um eixo de estímulo fiscal e crédito. Medidas de expansão, como isenções, podem afetar o cenário fiscal e, por consequência, a trajetória da política monetária.
A economia mostra sinais de aquecimento, com mercados de trabalho firmes e indicadores de atividade superando previsões. Economistas consultados pela Bloomberg projetam, em sua maioria, um corte de 0,25 ponto, levando a Selic a 14,50%.
Cenário fiscal e impacto político
O debate sobre o impacto dessas medidas de política econômica envolve perspectivas fiscais e eleitorais. Anderson de Loyola ressalta que medidas de alívio do endividamento podem influenciar a condução monetária, mesmo com efeito indireto.
O equilíbrio entre estímulos ao crescimento e responsabilidade fiscal permanece central. A avaliação de Loyola é de que o cenário externo continua a impor limites à independência da política monetária e às decisões do Copom.
As próximas semanas deverão esclarecer se haverá novo ajuste no ritmo de cortes ou uma pausa adicional, com o mercado observando atentamente o posicionamento do BC diante das incertezas internacionais.
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