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Ameaça às fontes de energia que geram empregos e atraem investimentos

A retirada de incentivos estruturais às renováveis pode comprometer empregos, emissões e investimentos na transição energética brasileira

Os benefícios das renováveis superam amplamente os incentivos que recebem Foto: Tiago Queiroz/Estadão
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A economia brasileira depende de uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com potencial para liderar a transição energética. O debate sobre racionalidade tarifária ganha peso diante da percepção de que os custos podem não refletir a natureza dos diferentes componentes da conta de luz.

A Aneel criou o subsidiômetro para esclarecer custos da energia. O instrumento mostra valores de geração, transmissão, perdas e encargos, entre outros. Em nota técnica, a agência reconhece limitações na metodologia usada para estimar a geração distribuída, tratadas como estimativas.

No âmbito regulatório, a Lei nº 14.120/2021 estabelece a retirada gradual de descontos para grandes usinas, enquanto a Lei nº 14.300/2022 prevê regras de transição para geração própria. Esses marcos visam previsibilidade regulatória e equilíbrio entre fontes.

Apesar dos incentivos, as fontes renováveis apresentam benefícios amplos. Na solar, estudos indicam retorno social de cerca de 3 reais para cada 1 investido, com empregos, arrecadação e investimentos adicionais. Ganhos ambientais também aparecem, com redução de emissões.

Os incentivos a energias fósseis seguem sem cronograma claro de encerramento, o que sustenta um debate sobre justiça tarifária. Parte das análises aponta que a soma de incentivos pode sobrepor o custo real da energia, dificultando comparações entre fontes.

Para especialistas, desagregar o valor da conta é essencial. A leitura histórica de quanto cada fonte recebeu ao longo das décadas permitiria avaliação mais precisa do custo-benefício. Sem isso, o debate sobre eficiência e justiça energética fica comprometido.

Em síntese, o Brasil mantém um mercado elétrico com forte potencial de renováveis, acompanhado de marcos legais de transição. Enfraquecer fontes que geram empregos, reduzem emissões e atraem investimentos pode comprometer a estratégia de desenvolvimento sustentável.

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