O empresário mineiro Lucas Kallas anunciou a saída de duas empresas onde era sócio, a Biomm, de biotecnologia, e a Latache Capital, gestora de ativos. A decisão marca a reorientação do portfólio do grupo Towards mineração, logística e café. O movimento está ligado à derrocada do Banco Master, associado a Daniel Vorcaro.
Kallas afirma que o foco passa a ser o DNA do grupo: ser majoritário, com mão na massa e gestão ativa. Segundo ele, não houve intenção de seguir como acionista de empresas de capital aberto. A saída visa concentrar recursos nas atividades de mineração, logística e café.
Na Biomm, a Cedro Participações detinha 8% do capital. Entre os fundadores, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia participou da empresa, com participação anterior da gestora WNT, ligada a Vorcaro e a Nelson Tanure. A WNT teve 25% da Biomm transferida ao BRB, após o colapso do Master.
Kallas ingressou na Biomm há dois anos, comprando ações por cerca de R$ 5,50 cada. Na segunda-feira, 27, ele vendeu a posição a R$ 7,30 por ação, segundo a movimentação divulgada pela bolsa. A empresa de biotecnologia enfrentou dificuldades associadas ao encerramento do banco.
Na Latache, o empresário recuperou o valor investido ao sair. Ele era investidor com 33,33% do capital desde o ano passado. Com a saída, Renato Azevedo, Marcel Cecchi, Stefan Lourenço e Sérgio Clemente passam a deter 100% do controle da gestora. Latache atua em ativos estressados.
A Latache é acionista da Oncoclínicas, que começou a investir em CDBs do Master. Com a liquidação do banco, as ações da Oncoclínicas recuaram, registrando queda de 73,8% nos últimos 12 meses. O impacto financeiro permanece em avaliação pelas partes envolvidas.
O caixa obtido com a venda das ações da Biomm deverá acelerar o investimento da Cedro em uma mina de Mariana, com foco na produção de pellet feed, minério de ferro de alta qualidade utilizado para reduzir emissões na siderurgia global. O objetivo é ampliar a capacidade de produção.
A empresa detalha planos de expansão com meta de 20 milhões de toneladas de pellet feed ao ano até 2030. O projeto envolve investimentos estimados em cerca de R$ 5 bilhões em infraestrutura logística, incluindo o Porto do Meio, em Itaguaí (RJ), e a ferrovia Shortline, na Serra Azul (MG). A expansão terá atuação internacional.
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