O Brasil avança, mas na direção errada. O ritmo da economia ainda sustenta consumo e atividade, porém decisões estruturais seguem adiadas. O custo desse adianto fica encoberto, ameaçando mudanças futuras.
A poucos meses da eleição, com 157 dias até o pleito, o país opera no modo curto prazo. Estratégia vira calendário, ajuste vira narrativa e o crescimento perde qualidade. O problema não é o crescimento, é a direção adotada.
Segundo dados do IBGE, cerca de 40% da força de trabalho está na informalidade. O funcionamento real da economia revela uma relação desbalanceada entre regras e produção.
A formalidade, em muitos casos, tornou-se cara e complexa, afastando quem cumpre as regras e acolhendo quem opera fora delas. A distorção demanda mudanças profundas, não apenas ajustes.
Enquanto o agro mostra competitividade e ganho de produtividade, boa parte da economia patina em estruturas rígidas. O contraste evidencia o que muitos chamam de falha de modelo, não de potencial.
A sobreposição de funções do Supremo Tribunal Federal amplia a judicialização de decisões econômicas. A previsibilidade, base para investimentos, fica fragilizada.
Esse conjunto não gera crise imediata. A economia não para, mas o crescimento degrada sua qualidade. Investimento produtivo cai, recursos se mexem para soluções de curto prazo.
O desenho atual, quando mantido, tende a aumentar a dependência de medidas pontuais e reduzir a capacidade de gerar valor a longo prazo. O desgaste vem gradualmente, invisível no curto prazo.
Hoje, o Brasil convive com alta informalidade. Amanhã, pode ocorrer a normalização do erro como norma, se as estruturas não forem ajustadas com inovação institucional.
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