O aumento dos preços de alimentos coloca em foco as promessas de luta contra o custo de vida feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Relatórios de consultorias indicam alta persistente no grupo de alimento em 2026, apesar de a renda média ter mostrado alguma recuperação e o desemprego permanecer em níveis baixos.
A cinco meses do primeiro turno, Lula mantém avaliação ruim/péssima em 40% dos entrevistados, segundo o Datafolha, e está empatado com Flávio Bolsonaro (PL) nas projeções de segundo turno. Analistas destacam que o custo de vida pesa sobre a popularidade do governo.
Especialistas apontam que boa parte da explicação para a erosão da confiança está na inflação de alimentos, que supera a recuperação de renda e o desconto do desemprego. A percepção de que tudo ficou mais caro persiste entre brasileiros.
Projeções de inflação e impactos
A MB Agro revisou para cima a projeção de inflação de alimentos deste ano, citando elevadas pressões com fertilizantes e insumos no cenário de guerra no Oriente Médio, além de previsão de impacto do El Niño. Relatórios internacionais também sinalizam inflação de alimentos acima do esperado.
A Tendências aponta que, em fevereiro, a renda disponível após gastos essenciais ficou em 21%, menor que o 23,6% de início de 2024. Em pesquisa recente, 71% dos entrevistados disseram que o poder de compra piorou em relação ao ano anterior.
Na visão de especialistas, a combinação de gastos públicos para conter preços e juros elevados é central na equação. Com dólar valorizado e petróleo acima de US$ 100, o ambiente externo sustenta pressões inflacionárias que afetam a cesta básica.
Conforme avaliações, o governo tenta mitigar o impacto com desonerações de diesel e pacotes de apoio a famílias e empresas, que, segundo levantamentos, podem injetar mais de 100 bilhões de reais na economia. O efeito sobre o cenário fiscal e a inflação é tema de debate entre economistas.
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