A Vale (VALE3) assumiu posição central em uma disputa bilionária para aquisição do Porto Sudeste, no Rio de Janeiro, em operação estimada em cerca de US$ 5 bilhões. O consórcio liderado pela Vale reúne a Gerdau (GGBR4) e a empresa australiana de logística M Resources, para disputar o ativo com Trafigura e Mubadala Capital.
O Porto Sudeste fica em Itaguaí, na Baía de Sepetiba, e funciona como rota de escoamento para minério de ferro com destino ao mercado internacional. O pacote à venda inclui também a Mineração Morro do Ipê, em Minas Gerais, configurando uma operação integrada de mina e logística.
A venda está sendo conduzida por Trafigura e Mubadala, com assessoria de Goldman Sachs e UBS BB. O processo já supera a fase de propostas não vinculantes e atrai investidores de diferentes partes do mundo, segundo informações da Bloomberg.
O interesse não é exclusivo de compradores brasileiros. Investidores chineses, fundos soberanos e grupos globais de infraestrutura acompanham o ativo, que combina terminal portuário e operação de mineração, conectados a ferrovias que ligam ao Quadrilátero Ferrífero.
Para a Vale, a aquisição pode fortalecer a posição logística no Brasil, ajudando a reduzir a dependência de terceiros para o escoamento. Em 2013, houve tentativa conjunta de compra do Porto Sudeste por mineradoras, mas o negócio não avançou naquela época.
O Porto Sudeste movimentou 27,8 milhões de toneladas em 2025, ainda abaixo de sua capacidade de cerca de 50 milhões. A ofensiva de compra aponta para ganhos de escala e maior previsibilidade logística para os players envolvidos.
Trafigura e Mubadala passaram a deter o controle do ativo em 2014, após a crise ligada ao grupo de Eike Batista. O processo de venda, que deve se encerrar em 2026, continua em andamento com a participação de bancos de investimento na coordenação.
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