O nível elevado de endividamento das famílias e do setor público pode frear o PIB, ao reduzir a capacidade de consumo. Dados indicam que as despesas com dívidas pesam sobre a economia, principalmente pelo pagamento de juros.
A Confederação Nacional do Comércio aponta que o endividamento das famílias alcançou 80,4% em março, o maior patamar desde o início da série em 2015. O indicador mede a parcela de famílias com dívidas a vencer em cartão, cheque especial, carnês, crédito e financiamentos.
O segmento público acompanha a tendência. A Dívida Bruta do Governo Geral chegou a 80,1% do PIB em março de 2026, com alta de 8,7 pontos percentuais no governo Lula. Analistas destacam o peso dos juros no custo da dívida.
Costa, economista, ressalta que aumentos de gasto público elevam o custo de rolar a dívida. Com juros elevados, o déficit nominal pode avançar, contribuindo para pressões inflacionárias e para um desempenho mais fraco do PIB.
O Banco Central informou que o PIB brasileiro cresceu 2,3% em 2025. Em 2026, o Focus reduziu levemente a perspectiva de expansão, de 1,86% para 1,85%. Economistas associam a evolução do endividamento ao fraco dinamismo da atividade e à pressão sobre o consumo.
Nova etapa de renegociação de dívidas será lançada pelo governo na primeira semana de maio, com o programa Desenrola 2.0. A proposta prevê descontos de até 90% para débitos, juros baixos e facilitação de renegociação, em meio a perspectivas de recuperação do consumo. A adesão ao programa inclui condicionantes, entre elas o bloqueio de plataformas de apostas para parte dos beneficiados.
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