Foi o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, que enfrentou uma trajetória de fragilidade financeira e irregularidades administrativas, conforme apontado pela fiscalização do Banco Central (BC). Entre 2021 e 2024, o BC enviou ao banco pelo menos 25 ofícios exigindo melhorias em capital, classificação de risco e informações sobre precatórios e fundos administrados pela Reag. Em 2024, mesmo com dificuldades de liquidez, Vorcaro ampliou as captações garantidas pelo FGC, de 30 bilhões para 60 bilhões.
O BC identifica falhas estruturais no Master acima de 2023, com avaliações que variavam desde fragilidades na governança até deficiências de capital. Em março de 2024, houve alerta sobre desequilíbrio de caixa e concentração de vencimentos de depósitos; em maio, a autoridade estimou uma carteira com deficiências de capital na ordem de 885 milhões de reais. Em novembro, o banqueiro apresentou um plano para enfrentar os problemas, mas as medidas ainda não frearam o ritmo de crescimento.
Contexto e histórico
A avaliação do BC sobre Vorcaro remonta a 2019, quando foi autorizada a aquisição do Máxima, atual Master. Em 2020, o Comitê de Avaliação de Riscos e Controles (Corec) classificou o banco com rating baixo, citando fragilidades em governança e gestão de riscos. Em 2021, o BC exigiu capital adicional para proteção de depositantes; em 2022, houve pedidos de reclassificação de risco de crédito e ajustes em operações com precatórios e fundos.
A fiscalização identificou padrões de operações que desafiam a liquidez, incluindo uso de fundos como o Bravo administrado pela Reag. Essas descobertas levaram o BC a adotar, em 2023, medidas mais restritivas e a iniciar uma série de ofícios para corrigir irregularidades, com o objetivo de evitar maquiagem contábil de riscos.
Avanços e entraves
Apesar de avanços internos de 2023 e 2024, incluindo tentativas de limitar captações e impor regras para operações com o FGC, o BC permaneceu em posição de resistência diante do crescimento do Master. Em março de 2024, o BC antecipou riscos de liquidez, e, em maio, confirmou a deficiência de capital. Os agentes do BC identificaram ainda informações falsas sobre o nível de risco de crédito e um uso incomum de ativos via fundos não líquidos para cobrir obrigações.
Em maio de 2024, o BC preparou um ofício para exigir ações corretivas. A resolução CMN 4.019, que autoriza medidas preventivas, foi aplicada anteriormente, mas o BC enfrentou dúvidas sobre o uso dessa ferramenta em casos individuais. Relatos internos indicam que termos de comparecimento aos controladores e à alta direção eram reservatórios de medidas extremas, usados com cautela pela supervisão.
Investigações e desfechos
O processo de apuração mostrou que fraudes só puderam ser identificadas plenamente em 2025, com suporte de departamentos como o Desig, que analisou fluxos entre empresas e fundos para rastrear desvios de recursos. Em 2024, Vorcaro apresentou uma carta-compromisso que sinalizava aumento de capital e substituição de operações problemáticas, além de criar um comitê de auditoria.
O Master buscou recursos junto ao BRB, mas esse movimento levou a impactos adicionais, com o tamanho da exposição aumentando o risco financeiro. Em abril de 2025, Vorcaro assinou o primeiro termo de comparecimento, iniciando uma escalada que culminou na liquidação do banco. O BC sustenta que a atuação foi proporcional ao risco, progressiva e baseada em critérios técnicos. Procuradas, as defesas de Souza, Belline e Vorcaro não comentaram de forma substantiva.
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