O depoimento premiado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ainda não caminhou conforme o esperado após assinatura de confidencialidade com a PF e a PGR. Passou de um mês sem conclusão das negociações para apresentação de informações essenciais.
A defesa do banqueiro não conseguiu, até o momento, fornecer todos os dados necessários para a investigação. Não foram apresentados, ainda, os detalhes sobre o destino dos recursos supostamente desviados nem as identidades dos possíveis laranjas.
A PF também aguarda a identificação de todas as autoridades supostamente envolvidas com o Master, que envolveriam os três Poderes da República. A demora aumenta a expectativa sobre o desfecho da colaboração.
Corrida pela delação
A espera pode favorecer a participação de outro colaborador relevante: Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Em 28 de abril, ele encaminhou ao STF o interesse em firmar acordo de delação premiada e solicitou transferência da Papuda para acelerar as conversas.
Costa foi preso sob a acusação de receber propina de 146 milhões de reais para favorecer o Master em negócios com o BRB. A atuação conjunta entre PF e PGR visa assegurar acordos de delação sem poupar envolvidos.
O processo depende de provas substanciais, como documentos, vídeos e registros que corroborem as declarações. É a primeira vez no país que as duas instituições unem esforços em uma delação compartilhada.
Caso Master
O Banco Central decretou a liquidação do Master em novembro de 2025 por insolvência e violações ao sistema financeiro. A PF iniciou a operação Compliance Zero na mesma época, com foco em carteiras de crédito sem lastro.
Vorcaro foi preso preventivamente em março, liberado e novamente detido, sob investigações que também o apontam como líder de uma suposta “milícia pessoal” para intimidar adversários e agentes públicos. Ele está preso na Superintendência da PF em Brasília.
Nessa fase, a PF identificou que a milícia poderia atuar para coagir testemunhas e influenciar a apuração. A defesa de Vorcaro não respondeu ao questionamento sobre o acordo; o espaço continua aberto.
Fonte: Metrópoles.
Entre na conversa da comunidade