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Mulheres em desenvolvimento sofrem mais com alta da dívida, aponta ONU

Dívida crescente em países em desenvolvimento atinge mais as mulheres, com demissões e maior carga de cuidados não remunerados, impactando renda

Teacher with children at aa nursery and daycare in Abidjan.
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A dívida em países em desenvolvimento está aumentando e atinge as mulheres de forma desproporcional, segundo pesquisa da ONU. O estudo mostra que, com o aumento dos encargos com juros, o desemprego feminino cresce e as responsabilidades de cuidado não remunerado também aumentam, principalmente quando o gasto público é cortado para equilibrar as contas.

Pesquisadores do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) analisaram dados de 85 países ao longo de três décadas. A expansão do serviço da dívida coincide com cortes em áreas como educação e assistência, elevando o peso sobre mulheres no mercado de trabalho.

O relatório aponta que entre o início dos anos 2010 e 2022 o peso do serviço da dívida quase dobrou nesses países. A estimativa é de 22 milhões de empregos femininos perdidos a curto prazo e mais de 38 milhões a longo prazo.

Impacto econômico e social

Quando o serviço da dívida sobe em relação às exportações, a renda per capita das mulheres cai, em média 17%, enquanto a masculina permanece estável. A expectativa de vida também tende a reduzir-se para ambos os sexos.

O estudo ressalta que a igualdade de gênero é meta central dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A administração aponta que credores poderiam vincular alívio da dívida a compromissos de não reduzir gastos sociais que afetem sobretudo as mulheres.

Contexto econômico e político

Antes do conflito entre EUA, Israel e Irã, 56 países já destinavam mais de 10% da receita pública ao serviço da dívida. A guerra em região estratégica pode piorar a situação, elevando custos de energia, fertilizantes e juros globais.

Especialistas destacam que a desvalorização de moedas e a inflação aumentam o custo de rolagem da dívida, pressionando governos a proteger famílias de aumentos de preços, o que, por sua vez, reforça a vulnerabilidade fiscal.

Observações finais

O estudo alerta para o ciclo de choques externos que agrava a vulnerabilidade fiscal e restringe o espaço para investimentos sociais. A análise sugere que políticas de dívida mais sensíveis ao impacto sobre mulheres podem reduzir perdas econômicas e sociais associadas.

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