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Brasil tem 82,8 milhões de endividados; 21% são contas de energia e água

Com 82,8 milhões de endividados, Brasil tem 21% dos débitos em contas básicas; Desenrola 2.0 visa renegociação com juros de até 1,99% ao mês

De acordo com o Serasa, 38% dos brasileiros com dívidas bancárias apontam desemprego ou perda de renda como a principal causa da inadimplência
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Em meio a sinais de piora financeira, Serasa Experian informou que 82,8 milhões de brasileiros estão endividados, o equivalente a 49% da população. Os débitos somaram R$ 557,7 bilhões em março, com bancos e cartões de crédito entre os principais emissores.

A qtd de inadimplentes permanece elevada, e 47% das dívidas concentram-se em instituições financeiras. Bancos respondem por 27% de todos os débitos, seguidos por contas básicas (água, luz, gás) com 21% e serviços com 11,5%.

Entre os perfis etários, 41 a 60 anos representam 35,5% dos endividados. Já 26 a 40 anos somam 33,5%, acima de 60 anos 19,8% e 18 a 25 anos 11,2%. Em bancos, 49% têm múltiplas dívidas em uma mesma instituição.

O cartão de crédito lidera o endividamento, com 73% das pendências, seguido por empréstimos (56%) e limite de conta/cheque especial (33%). Entre os inadimplentes com cartão, 37% devem mais de R$ 10 mil e 36% estão nesse cenário há mais de dois anos.

Desenrola 2.0

Nesta semana o governo lançou o Desenrola 2.0, com renegociação de dívidas em atraso para quem ganha até cinco salários mínimos. Poderão participar dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.

O programa tem quatro eixos: Desenrola Famílias, Fies, Rural e Empresa. O foco é permitir trocas de dívidas caras por crédito com juros de até 1,99% ao mês. Também haverá uso de até 20% do FGTS para amortizar débitos.

A expectativa é atender 20 milhões de famílias, 15 milhões de aposentados com consignado e até 1,5 milhão de estudantes com o eixo Fies. O Rural deve alcançar 800 mil pessoas.

Desenrola Famílias

A renegociação visa reduzir o tamanho da dívida com garantias públicas. Desconto médio estimado pelo Ministério da Fazenda fica em 65%, com nova dívida até R$ 15 mil por instituição. Prazo de até 48 meses e primeira parcela em até 35 dias.

Quem ganhar até cinco salários menores terá bénéficiação. As dívidas abrangidas vão de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado.

Desenrola Fies

Descontos variam conforme o prazo da inadimplência. Dívidas >90 dias podem ter desconto de juros e multas. Dívidas acima de 360 dias podem chegar a 99% de desconto para CadÚnico, com liquidação integral.

Desenrola Rural

Programa voltado a agricultores familiares e comunidades tradicionais terá novo prazo de adesão até 20 de dezembro de 2026. O objetivo é ampliar o alcance a 1,3 milhão de pessoas.

Desenrola pequenas empresas

Mudanças atingem microempresas e micro/pequenas empresas. Carência sobe de 12 para 24 meses; prazo da operação vai a 96 meses; tolerância para novos créditos aumenta a 90 dias. Créditos sobem de 30% para 50% do faturamento, com teto de 180 mil reais. Mulheres no comando ganham margem maior.

Fontes: Serasa Experian e informações do Estadão.

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