O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou nesta terça-feira (5.mai.2026) que a 2ª edição do Desenrola, programa de renegociação de dívidas do governo, é incipiente diante da crise dos produtores rurais. Ele apontou que o aumento do diesel elevou significativamente os custos de produção, impactando especialmente a cadeia da soja, o uso de máquinas e o frete.
Segundo Lupion, o endividamento do setor já supera 120 bilhões de reais, número que, na avaliação dele, guarda relação com o crescimento da arrecadação do governo decorrente da alta de combustíveis. O deputado disse que há espaço fiscal para enfrentar o problema, desde que haja prioridade na destinação dos recursos.
O parlamentar também criticou o custo do crédito rural, que, na visão dele, passa de 20% ao ano em termos reais, devido a juros elevados e à falta de subvenção ao seguro rural. Ele atribuiu esse quadro à política fiscal do governo e a entraves regulatórios que elevam o risco e dificultam o acesso ao financiamento.
Desempenho e perspectivas do setor
Lupion afirmou que a combinação de crédito caro, aumento de custos e insegurança compromete a capacidade de investimento dos produtores, citando a queda de 22% nos pedidos de máquinas agrícolas na última Agrishow como sinal de retração do setor. O deputado destacou a necessidade de medidas para ampliar a competitividade dos biocombustíveis, defendendo incentivos ao etanol e ao biodiesel.
Ele também informou que a FPA prepara a votação de propostas prioritárias para o setor, como um novo marco para o seguro rural e mudanças em regras de crédito. A bancada defende a criação de uma pauta específica para o agro no plenário da Câmara, visando ampliar a capacidade de investimento e reduzir riscos para produtores.
Entre na conversa da comunidade