Os produtores de carne bovina do Canadá acompanham com cautela o avanço das negociações de livre comércio entre o Canadá e o Mercosul. O governo de Ottawa busca ampliar as exportações para mercados fora dos Estados Unidos, visando reduzir a dependência da demanda americana. O setor emprega cerca de 350 mil pessoas e soma aproximadamente 34,2 bilhões de dólares canadenses ao PIB anual.
A Câmara Canadense de Gado, que representa 60 mil pecuaristas, afirma que o acordo pode trazer benefícios limitados para o Canadá e riscos de competição desequilibrada. Segundo a entidade, as importações do Mercosul cresceram 238% de 2021 a 2025, com cotas já preenchidas neste ano. A preocupação é com a entrada de carne mais barata e de menor qualidade no mercado canadense.
O debate envolve analistas e ex-funcionários de comércio. Um consultor brasileiro afirmou que a oposição interna faz parte do processo de negociação e que a tentativa é manter portas abertas para o Mercosul. O representante canadense da indústria rebate que o país está altamente exposto à importação, destacando que o Canadá importou 30% de sua carne bovina no último ano, contra 19% dos EUA e 7% da UE.
Panorama do Mercosul e impactos potenciais
O Brasil segue como maior exportador mundial de carne bovina, com volumes significativos, e o Mercosul registra participação firme em commodities diversas. Especialistas apontam que o acordo pode, segundo projeções, desviar parte do fluxo de carne para além da China, que restringiu o seu acesso ao produto brasileiro recentemente. Em contrapartida, observa-se uma alta nos embarques canadenses para os EUA, principal destino atual do país.
No Canadá, as exportações de carne bovina atingiram 5,3 bilhões de dólares em 2025, com alta de 7,7% frente a 2024. No primeiro trimestre de 2026, houve recuperação de volumes e receita. O governo de Carney enfatiza a importância de acordos globais para ampliar investimentos e diversificar mercados, mesmo diante de críticas sobre possíveis impactos domésticos.
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