O relatório Global Wind Report 2026 mostra avanço rápido da energia eólica offshore em todo o mundo. Em 2025, foram conectados 9,2 GW de turbinas no mar, elevando a capacidade global para 92,3 GW. O país com maior potência instalada continua sendo a China.
No Brasil, as condições de vento na costa são promissoras, mas a regulamentação ainda não está totalmente em vigor para viabilizar projetos offshore. A expectativa é de que o marco legal, já vigente desde 2025, ganhe regulamentação infralegal ainda neste ano para orientar áreas, licitações e integração com o planejamento energético.
A ABEEólica aponta que 59 empreendimentos já buscam licenciamento ambiental no Ibama, totalizando 135 GW de potência distribuídos entre Nordeste (62 GW), Sudeste (19 GW) e Sul (53 GW). Esse volume é quase quatro vezes a capacidade instalada de eólica em terra no país hoje.
Avanços regulatórios e diretrizes
O CNPE aprovou diretrizes para regulamentação da lei, incluindo critérios de distância da costa. A resolução também prevê um Portal Único de Gestão de Áreas Offshore (PUG Offshore) para a gestão das áreas. O Ministério de Minas e Energia (MME) espera um diagnóstico e plano de ação ainda neste mês.
O potencial técnico estimado fica acima de 1,2 mil GW, com 480 GW em fundação fixa (profundidades até 70 m) e 750 GW em flutuante. A expansão offshore brasileira dependerá da sincronização entre reguladores, portos e cadeia produtiva.
Contexto internacional e lições
Globalmente, a potência offshore representa 92,5 GW, com a China respondendo por mais de metade. China, Reino Unido, Alemanha, Holanda e Taiwan lideram o setor. Experiências internacionais destacam a importância de desenvolvimento coordenado com portos e cadeias produtivas para revitalizar regiões industriais e logísticas.
Marcello Cabral, da ABEEólica, ressalta que o Brasil tem ventos fortes e costa extensa, combinados a experiência adquirida na eólica onshore. A aposta em offshore é vista como oportunidade de ampliar a participação da energia eólica na matriz, hoje com 35,9 GW onshore.
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