Lucídio Goelzer transformou uma ideia familiar em uma trajetória premiada. Doze anos de viagens pela Europa o motivaram a buscar um azeite com identidade própria, sem abrir mão da qualidade. Hoje, o projeto ganhou escala e reconhecimento mundial.
A Estância das Oliveiras, localizada em Viamão, na região metropolitana de Porto Alegre, produz o azeite Frantoio. Em abril, o rótulo atingiu a nota máxima em um concurso internacional, o European International Olive Oil Competition, em Genebra, marcando a primeira vez que um azeite recebe 100/100.
A escolha pelo plantio na encosta, a 110 metros de altitude, próximo ao litoral gaúcho, ajuda a influenciar o terroir. A brisa marítima contribui para o sabor, enquanto a produção comercial começou em 2019. Sete anos após, o azeite ficou conhecido por sua qualidade excepcional.
Prêmios e reconhecimento
O método de colheita precoce, aplicado pela família Goelzer, envolve colher as azeitonas ainda verdes. Esse cuidado eleva a concentração de polifenóis antioxidantes e aumenta a variedade de notas de sabor, que chegam a 12–14 nos rótulos internacionais.
O processamento ocorre entre duas e quatro horas após a colheita, para preservar características do fruto. De dez quilos de fruto, obtém-se aproximadamente um litro de azeite. A prática, apesar de reduzir a quantidade, prioriza qualidade superior.
A Estância das Oliveiras acumula mais de 250 prêmios internacionais desde 2019 e figura entre as marcas mais premiadas do mundo, segundo rankings do setor. A produção nacional, porém, ainda depende fortemente de importações para atender ao mercado doméstico.
Mercado e crescimento
O reconhecimento abriu espaço para o nicho de azeites de alto padrão no Brasil, com atuação inicial em mercados asiáticos de luxo, como Japão, Singapura e Coreia do Sul. Em 2024, o objetivo foi ampliar presença internacional por meio de feiras e visitas a compradores.
Além disso, a fazenda emprega cerca de 30 pessoas entre manejo das oliveiras e turismo rural. A região de Viamão tem ganhado importância no cenário gaúcho de olivicultura, estimulando a troca de experiências entre produtores.
Rafael Goelzer, ao lado do irmão André, que se formou mestre lagareiro na Itália, conduz o negócio. Juntos, buscam manter o padrão alto sem sacrificar a identidade brasileira do produto.
Desafios e contexto setorial
O Brasil hoje conta com mais de 550 produtores de azeite distribuídos por diversos estados, gerando cerca de 10 mil empregos safristas. A expectativa é alcançar 1 milhão de litros na safra de 2026, ampliando o peso do país no mercado global.
Entretanto, o setor enfrenta entraves, como a fiscalização de qualidade e a concorrência de importados com políticas de subsídio. A regulamentação brasileira permite contabilizar a validade a partir da envase, o que pode estender a data de validade de azeites armazenados por anos.
O Instituto Brasileiro de Olivicultura defende maior fiscalização e uma equiparação tributária para o setor. Em paralelo, há iniciativas estaduais como o selo superpremium para rótulos que atendem critérios rigorosos de acidez e ausência de defeitos sensoriais.
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