O fim da escala 6×1, sem mudanças no modelo de contratação, pode agravar a escassez de mão de obra e pressionar operações de supermercados, alerta Erlon Ortega, presidente da APAS. O debate envolve como organizar o trabalho, não apenas reduzir horas.
O setor já enfrenta dificuldade para preencher vagas. Em São Paulo, cerca de 700 mil pessoas trabalham no ramo, com aproximadamente 35 mil vagas abertas, principalmente em reposição, caixa e açougue. A rigidez atual já gera descompasso com o mercado.
Mais jovens e mais adultos compõem a força de trabalho. Quase 25% dos empregados têm até 25 anos, buscando jornadas flexíveis, alinhadas a estudos. Trabalhadores com 50 anos ou mais já representam mais de 10% do total no estado, segundo a APAS.
Mudanças no formato de trabalho
Ortega critica o foco exclusivo na redução de jornada. Ele defende modelos mais flexíveis, como o trabalho por hora, ou horista, para adaptar a jornada à realidade dos trabalhadores e aumentar a formalidade.
Segundo ele, parte do turnover está ligado à busca por horários mais compatíveis com vida pessoal. A adoção de formatos flexíveis pode atrair trabalhadores de volta ao mercado formal, com proteção.
Alguns olhos da indústria já olham para 5×2 com jornadas diárias mais longas, mantendo 44 horas semanais. A prática visa ampliar dias de descanso e manter produtividade, mas exige ajustes operacionais.
Cenário e perspectivas
Com a redução de jornadas sem adequação, o custo operacional tende a subir pela maior necessidade de contratação e pelo impacto na produtividade. O tema avança no Congresso, com propostas que vão de redução de horas a novos formatos de contratação.
A PEC 40/2025 é citada como alternativa para viabilizar mudanças sem grandes impactos à operação. Governos, sindicatos e empresas discutem como o mercado pode se adaptar sem prejudicar a disponibilidade de produtos.
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