Um herdeiro de Leonardo Del Vecchio contestou a aprovação de um acordo familiar avaliado em cerca de 10 bilhões de euros, que pretende reformular o controle da Delfin Sarl, a holding da família. A ação foi protocolada em um tribunal de Luxemburgo na sexta-feira (8).
Basilico, enteado do fundador e marido da viúva, sustenta que a transferência de 25% de participação na Delfin para Leonardo Maria Del Vecchio não recebeu o quórum necessário. A contestação pode atrasar a intenção de Leonardo Maria de comprar as participações de dois irmãos.
A Delfin é maior acionista da EssilorLuxottica, empresa resultante da fusão entre Luxottica e Essilor. A ação surgiu após informações de que o acordo poderia alterar a estrutura de governança do grupo, sinalizando possível impasse entre os herdeiros.
Segundo fontes, a reunião de 27 de abril aprovou a transferência com base em um quórum de 75%, quando os estatutos exigem mais de 88% para operações com terceiros. Basilico também contesta a aprovação de uma nova política de dividendos.
O voto favorável à operação elevou a participação de Leonardo Maria para 37,5% na Delfin, tornando-o o maior acionista. Basilico votou contra e disputa também a validade de uma transferência de participação de Nicoletta Zampillo, viúva de Del Vecchio.
Ressalta-se que a medida de dividendos pode influenciar o financiamento da compra. A Delfin pretendia distribuir pelo menos 80% do lucro líquido de 2025, 2026 e 2027 após a conclusão da aquisição.
Representantes de Delfin, EssilorLuxottica e de Leonardo Maria não se manifestaram. Basilico não respondeu aos pedidos de comentário. As informações foram apuradas pela Bloomberg com pessoas próximas ao caso.
A transação, caso aprovada, deve ser concluída até 27 de junho. O cenário coloca em foco a governança do conglomerado de óculos, controlado pela Delfin, que detém participação relevante na EssilorLuxottica e em outras companhias.
Entre na conversa da comunidade