Um microlote de 100 gramas de café arábica da variedade geisha atingiu o valor de 10 mil reais em um leilão de 24 horas realizado nas redes sociais na sexta-feira, 8. O lote foi adquirido de forma conjunta pela exportadora Coffee Senses e pela corretora Tribo da Cafeína.
Produzido por Luiz Paulo Dias Pereira Filho na Fazenda Rarus, em Carmo de Minas (MG), o café recebeu avaliação sensorial de 92 pontos. Passou por seleção manual, fermentação a frio de sete dias e um processamento especial, destacando-se pela qualidade de origem.
O lote foi dividido igualmente entre as duas empresas compradoras. A Coffee Senses reforçou o reconhecimento ao trabalho de produtores de cafés especiais, enquanto a Tribo da Cafeína apontou a busca por grãos raros e de alta pontuação.
Aos olhos dos organizadores, o custo por dose fica acima de 1,4 mil reais, considerando que 100 gramas rendem aproximadamente 1,4 litro de bebida, em torno de sete xícaras de 200 ml cada. O valor é visto como recorde em xícara no Brasil, com potencial de equiparar-se aos preços de vinhos de luxo.
Luiz Paulo afirma que o episódio sinaliza uma mudança de percepção sobre o café brasileiro, tradicionalmente tratado como commodity, destacando o potencial de o país produzir cafés de luxo com identidade e assinatura. Ele também integra a lista de reconhecimentos da BSCA e da Alliance for Coffee Excellence como lenda mundial do café especial.
O produtor já indicou planos para ampliar a produção de microlotes e nanolotes por meio do Projeto Rarus, voltado ao mercado de cafés especiais. Na semana anterior, ele comercializou outro microlote, de 70 gramas da mesma variedade geisha, por 3 mil reais.
A iniciativa visa ampliar o interesse público pelo café especial e destacar a rastreabilidade e as técnicas de produção, segundo avaliadores da indústria. O movimento busca atrair coffeemakers e consumidores interessados na experiência completa, da colheita à bebida pronta.
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