Em Alta Eleições 2026 PolíticaNotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasConflitoseconomiaFutebol

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Crise do petróleo impulsiona corrida por biocombustíveis

Conflitos no Oriente Médio elevam a demanda por segurança energética; estudo aponta até R$ 403,2 bilhões no PIB brasileiro com biocombustíveis e geração de empregos

Projeção prevê produção de 64 bilhões de litros de combustíveis renováveis no país - (crédito: Divulgação)
0:00
Carregando...
0:00

A crise no petróleo impulsiona a busca por biocombustíveis. Conflitos no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz reativam temores de desabastecimento, elevam preços de energia e colocam etanol, biodiesel e SAF no centro da pauta energética. O Brasil é apresentado como protagonista da transição baseada em biomassa.

Estudos da FGV indicam que a bioenergia pode acrescentar até 403,2 bilhões de reais ao PIB entre 2030 e 2035, gerando 225,5 mil empregos e evitando desmatamento em aproximadamente 480 mil hectares, principalmente no Cerrado e na Amazônia. A projeção envolve 64 bilhões de litros de combustíveis renováveis.

Cícero Lima, pesquisador da FGV Agro, ressalta que os impactos vão além do setor de energia. O retorno estimado é de 62 reais para cada 1 investido, segundo o estudo, destacando o papel da bioenergia como vetor de crescimento econômico.

Disputa desigual

O mercado mundial vive uma nova configuração de segurança energética. O CEO do Instituto Equilíbrio, Eduardo Bastos, afirma que guerras atuais mudaram a lógica da transição e ampliaram o peso dos biocombustíveis. A depender do preço do petróleo, acelerar a transição pode valer a pena.

Bastos comenta que a discussão envolve soberania energética, não apenas meio ambiente. Em períodos de conflito, há risco de desabastecimento de gás, fertilizantes e alimentos, ampliando a relevância dos biocombustíveis para o Brasil.

Food vs. fuel

Especialistas destacam que, no Brasil, a relação entre produção de alimentos e biocombustíveis não é conflitante. Bastos aponta que a maior produtividade agrícola e o uso de subprodutos ajudam a manter a oferta de proteína animal e a inflação de alimentos sob controle.

O conceito proposto é *fuel for food*: ao ampliar etanol e biodiesel, o País também eleva a oferta de derivados para alimentação animal, o que, segundo os especialistas, não compromete a produção de alimentos no Brasil.

Eletrificação

A discussão sobre descarbonização envolve rotas tecnológicas distintas. Enquanto Europa, China e EUA priorizam eletrificação, o Brasil aposta em vantagens comparativas em biocombustíveis.

Gillio, professor do Insper, diz que a eletrificação favorece países sem vantagem agrícola. O Brasil, segundo ele, pode importar soluções desenhadas para outras matrizes energéticas, o que não se aplica aos biocombustíveis.

Mesmo com avanço dos EVs, a demanda por combustíveis líquidos persiste em aviação e transporte marítimo. O SAF aparece como aposta global para biocombustíveis, embora tenha custo elevado em relação ao fósil.

Rastreabilidade

Além de reduzir emissões, o avanço da bioenergia exige rastreabilidade e não desmatamento para atender mercados internacionais. A projeção aponta queda de até 27,6 milhões de toneladas de CO2 equivalente ao substituir combustíveis fósseis.

No etanol de cana, as reduções de emissões variam entre 70% e 90% ante a gasolina, segundo o estudo. A expansão depende de estabilidade regulatória, crédito acessível e previsibilidade para investimentos.

O Brasil, diante de guerras, pressão climática e reorganização das cadeias globais, busca transformar a produção agrícola em influência geopolítica. Os especialistas veem os biocombustíveis como liderança da próxima fase econômica nacional.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais