A pesquisa do Instituto Rede Mulher Empreendedora (IRME) revela a relação entre maternidade, empreendedorismo e informalidade no Brasil. O estudo, com mais de 1.000 empreendedoras, aponta que mães representam 36,9% do total, porém a situação se complica para mães solo, com impacto direto na renda e no acesso a políticas de apoio. O cenário mostra uma economia que depende do cuidado não formalizado.
Entre as pesquisadas, 14% são mães solo, e 87% delas são chefes de domicílio, ou seja, respondem sozinhas pelo sustento familiar. A média geral da amostra fica em 58,3%. A vulnerabilidade se acentua quando o grupo é majoritariamente composto por mulheres negras, que somam 66,4% das mães solo empreendedoras.
A renda do grupo é baixa: 58,9% obtêm ganhos próprios de até 2.400 reais mensais. Além disso, 57,5% atuam na informalidade, sem CNPJ. A falta de formalização dificulta acesso a crédito e a benefícios previdenciários, acentuando a desigualdade estrutural.
O levantamento aponta que, mesmo com formação superior, 45,9% das mães solo possuem ensino superior. O dado evidencia que a qualificação acadêmica não elimina as barreiras de rede de apoio público e privado. O custo da ausência de políticas de suporte é sentido no cotidiano dessas famílias.
A pesquisa destaca o trabalho invisível ligado ao cuidado, referido como gerência de projeto doméstico. Inclui controle de vacinas, materiais escolares e acolhimento emocional. Esse esforço sustenta a força de trabalho da sociedade, ainda que não seja contabilizado no mercado formal.
Especialistas ressaltam que a solução envolve mais do que ajuda individual. É necessária licença-paternidade estendida, mudança na cultura empresarial para valorizar eficiência em vez de presença física e políticas públicas que ampliem o auxílio-creche. Esses instrumentos visam reduzir a sobrecarga de cuidado.
Autoras e apoiadoras da RME defendem que o cuidado não é atributo biológico, mas competência social compartilhada. Políticas mais abrangentes, como a licença parental, convidam homens a participar ativamente da esfera doméstica, fortalecendo redes de apoio.
A organização que embasa o estudo atua oferecendo capacitação e mentoria a mulheres, com foco especial em mães. O objetivo é transformar a sobrevivência em sustentabilidade, tornando visível o papel central do cuidado na economia e na vida social.
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