O aumento do preço do petróleo, do querosene de aviação e dos fretes, impulsionado pela escalada da guerra no Oriente Médio, levou empresas de diversos setores a rever planos para os próximos trimestres. O cenário elevou custos, pressionou margens e alimentou preocupações com inflação e com o ritmo de queda dos juros.
Executivos presentes na divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 destacaram impactos em combustíveis, insumos e logística. A leitura comum é de que o choque lembra crises anteriores, como a pandemia, com reorganização de cadeias produtivas e maior volatilidade de preços.
Aviação, petróleo e crédito público
Na aviação, o custo do combustível disparou, com reajustes recentes da Petrobras e impactos ainda maiores à medida que o petróleo segue em alta. Companhias avaliam ajustes de rotas, frequências e tarifas, além de enfrentar custos financeiros decorrentes de elevações no preço do QAV. Empresas do setor projetam ganhos adicionais com fretes e insumos, mas devem contornar impactos sobre a demanda.
O governo federal chegou a estudar uma linha de crédito temporária para o setor, com volume total estimado em até 1 bilhão de reais, limitado a 1,6% do faturamento bruto anual de cada companhia. O apoio seria oferecido com o risco integral por parte da União, visando evitar pressões excessivas sobre as tarifas e a conectividade.
Moda e calçados: sintéticos sob pressão
No varejo de moda, a alta de petróleo elevou custos de materiais sintéticos, como poliéster. A inflação dos insumos pressiona margens, ainda que a valorização do real tenha ajudado a conter parte do impacto sobre importações. Executivos afirmam manter diálogo com fornecedores e não indicam riscos relevantes de curto prazo para as margens, ainda que haja revisões de preços para recompor custos.
Na área de calçados, a Vulcabras sinalizou que o choque de custos no estágio inicial da crise teve semelhanças com a pandemia. Reuniões de diretoria passaram a ocorrer com maior frequência, e a empresa revisou completamente a estratégia para 2026 diante da elevação de matérias-primas derivadas do petróleo, ajustando lançamentos e faixa de preço para manter a demanda.
Mineração e siderurgia: custos em alta, volumes estáveis
Empresas de mineração e siderurgia também enfrentam o aumento de custos ligado ao petróleo, gás e fretes. A Usiminas aponta cenário desafiador para os próximos trimestres, com incertezas ligadas à cadeia de suprimentos e ao transporte marítimo. Mantém expectativa de volumes estáveis na siderurgia, porém com custos mais elevados.
A Gerdau indicou renegociação de preços com fornecedores, destacando a necessidade de repassar parte dos custos aos clientes. Alguns clientes possuem margem suficiente para absorver parte dos aumentos, o que pode facilitar ajustes de preço ao longo do tempo.
Varejo alimentar e efeitos logísticos
No varejo alimentar, a pressão de custos já afeta itens perecíveis, sobretudo frutas, verduras e produtos com maior dependência de logística rápida. Entidades do setor ressaltam a importância de gerenciar custos de transporte e armazenagem para conter reajustes de preços ao consumidor.
As informações indicam um quadro de custos elevados e maior incerteza, que exige monitoramento constante de canais de suprimento e de financiamento. As companhias trabalham para manter conectividade, operações consistentes e equilíbrio entre preços ao consumidor e margens de lucro, sem indicar reduções drásticas de oferta.
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