Em uma fábrica familiar de autopeças nos arredores de Buenos Aires, as linhas de produção estão paradas. A Suspenmec opera abaixo da capacidade enquanto enfrenta a concorrência de peças importadas mais baratas, especialmente da China, após flexibilização comercial na Argentina.
As importações de autopeças subiram 11,6% em 2025, para US$ 10,32 bilhões, segundo a AFAC. As exportações cresceram apenas 1,2%, para US$ 1,28 bilhão. China sozinha teve alta de 80,9% nas importações, para US$ 1,46 bilhão, ainda com o Brasil como principal fornecedor.
“É preocupante. Sentimos o impacto das importações livres de tarifas de tantas marcas”, afirma Lucas Panarotti, sócio da Suspenmec, diante das máquinas paradas.
Outros fabricantes, como SKF e Dana, fecharam fábricas na Argentina. A produção de autopeças caiu 22,5% nos dois primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo o INDEC.
A indústria automotiva brasileira também observa efeitos. A produção de veículos na Argentina somou 490 mil unidades em 2025 e recuou 19% no primeiro trimestre de 2026.
Contexto econômico
Especialistas apontam que o setor precisa se especializar e ampliar exportações. Andrés Civetta, da Abeceb, estima potencial de 400 mil veículos comerciais leves exportados por ano, ante 280 mil em 2025, com destino ao Brasil e mercados latino-americanos.
Ricardo Delgado, da Analytica, ressalta que a valorização do peso dificulta competir com importações. O peso subiu cerca de 10% desde dezembro, contribuindo para inflação em dólar.
Mercado de trabalho
A crise se reflete no emprego: o desemprego chegou a 7,5% no quarto trimestre de 2025, alta frente a 6,4% de 2024. O setor de autopeças reduziu cerca de 5 mil empregos em 2025, equivalente a 10% da sua força de trabalho. Informações são da AFAC.
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