O juro real dos títulos públicos longos atrelados ao IPCA, até 2045, está próximo de 8% ao ano. No mercado futuro, com inflação média de 4%, juros reais para vencimentos de 2029 a 2032 passam de 9% ao ano. O cenário aponta risco de insolvência para famílias e empresas.
A dívida bruta do governo geral deve chegar a 82% do PIB no final de 2026. Mantido o crescimento real do PIB em 2% ao ano, para estabilizar a dívida com juros reais de 8% seria necessário um superávit primário de 4,9% do PIB. O déficit atual fica em torno de 0,6%.
Nesse quadro, o ajuste exigido seria de aproximadamente 5,5% do PIB, cerca de 750 bilhões de reais em valores de hoje. A combinação de necessidade de ajuste alto e viabilidade política é considerada inviável no curto prazo.
Cerca de 92% da despesa pública é obrigatória, com itens como previdência, saúde, educação, programas sociais e emendas impositivas. Não há margem para cortes significativos sem impactos relevantes na oferta de serviços.
A trajetória da dívida no governo anterior teve apoio de juros reais negativos, efeito de surpresas inflacionárias. Hoje, manter 8% de juro real no longo prazo é visto como insustentável.
A situação abre duas saídas históricas. A primeira envolve dominância fiscal: o governo pressiona a política monetária, reduzindo a capacidade de ancorar a inflação. A segunda é uma crise aberta: deterioração dos ativos, desvalorização cambial acentuada e contração do setor privado.
Historicamente, o Brasil já recuou crises com reformas estruturais: houve avanços com o Plano Real, o tripé macroeconômico de 1999 e o teto de gastos de 2016. Em cada caso, a crise funcionou como gatilho para reformas impopulares.
Não se trata de prever caos. A leitura é de que quem precifica 8% de juros reais para prazos longos já aposta em uma dessas saídas ou em uma correção de rota ainda não incorporada aos preços.
A mensagem é de que a correção de rota não exige, necessariamente, cortes abruptos já para 2027. O essencial é adotar medidas críveis que restab ejam a sustentabilidade intertemporal da dívida pública.
Essas medidas, por sua vez, devem permitir a queda acelerada dos juros sem gerar uma nova crise. O objetivo é manter a solvência do setor público e a confiança de famílias e empresas nos próximos anos.
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