O Ministério de Minas e Energia renovou na sexta-feira a concessão de diversas distribuidoras de energia, incluindo a Light, por mais 30 anos. A decisão vem acompanhada de mudanças contratuais que visam reduzir perdas, inadimplência e melhorar a qualidade do serviço, especialmente nas áreas de maior risco.
A principal inovação é o reconhecimento das chamadas áreas de risco no contrato. Nessas zonas, furtos de energia, perdas não técnicas e inadimplência terão tratamento distinto, conforme afirmou o CEO da Light ao Brazil Journal. A forma de implementação ainda está em debate, mas o reconhecimento já representa avanço.
A Light atende mais de 4 milhões de unidades consumidoras em 31 municípios do Rio de Janeiro, incluindo a capital e a região metropolitana. A empresa tem historicamente altos índices de perdas, agravados por atividades criminosas na área de concessão, o que dificultava cumprir metas contratuais de desempenho.
Com a nova estrutura, o contrato passa a prever metas diferenciadas para as regiões de risco, o que deve tornar o acordo financeiro mais sustentável. Além disso, os investimentos da companhia passarão a ser reconhecidos anualmente, em vez de a cada cinco anos.
Outra mudança relevante é a possibilidade de cobrança de tarifas menores nessas áreas, compatíveis com o que caberá no bolso dos moradores para reduzir furtos e inadimplência, segundo o executivo.
O contrato também abre espaço para um programa de investimentos de grande escala nos próximos cinco anos. A Light planeja investir cerca de 10 bilhões de reais, com média de 2 bilhões por ano, priorizando regiões com clientes regulares e sem inadimplência.
Em termos de recursos, a empresa vem de um processo de recuperação judicial iniciado há alguns anos. A dívida estimada em 10,8 bilhões de reais foi reduzida para 4,9 bilhões, com aprovação do plano por credores. O pacote de renovação também viabiliza um aumento de capital de até 3,7 bilhões de reais.
O objetivo é manter a alavancagem em patamar estável, com EBITDA abaixo de 2x após a injeção de capital. O CEO afirma que a Light será uma empresa reformulada, com foco na modernização da rede, melhoria de atendimento e sustentabilidade financeira.
Entre os resultados operacionais recentes, houve melhoria no tempo de atendimento e na quantidade de consumidores interrompidos por mais de 24 horas. Em 2022, o tempo médio era de 1424 minutos; em janeiro de 2026 ficou em cerca de 500 minutos. O número de unidades interrompidas por mais de 24 horas caiu de 18% para menos de 3%.
Ao longo do processo, a Light também internalizou parte de sua força de trabalho, passando a ter 7,5 mil funcionários próprios, contra 4 mil em 2022. A gestão sustenta que a internalização ocorreu de forma planejada, com foco em formação de eletricistas e preservação da cultura da empresa.
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