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Mães e filhos viram sócios em empreendimentos bem-sucedidos em Brasília

Famílias do Distrito Federal constroem negócios bem-sucedidos com transmissão de valores, gestão compartilhada e ausência de manuais

Maria Madalena, com as filhas Márcia e Andréia, abriu a empresa em 1995 - (crédito: Carlos Vieira CB/DA Press)
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No domingo mais esperado de maio, mães e filhos no Distrito Federal atuam juntos no mesmo negócio. Afeto e gestão se cruzam no dia a dia, do almoço em família ao balcão de venda. As empresas nasceram sem manual, planilha ou cartório, mas com muita coragem e convivência.

Segundo o Sebrae, mais da metade das micro e pequenas empresas brasileiras tem familiares como sócios ou colaboradores. Em negócios liderados por mulheres, o índice sobe para 59%. Os setores de alimentação e beleza aparecem com destaque nesse cenário.

A reportagem ouviu quatro famílias do DF: uma clínica de estética, uma casa de biscoitos mineiros, uma escola de educação infantil de três gerações e a maior rede de pet shops da região. Em todos os casos, o protagonismo familiar moldou o crescimento.

Contexto nacional

Os dados apontam que o vínculo familiar se consolidou como estratégia de continuidade. A prática facilita transmissão de saberes, tradição de atendimento e visão de longo prazo. Em muitos casos, as empresas cresceram sem estruturas formais no início.

Sabor de mãe

Dona Maria Madalena Teixeira iniciou a produção de quitutes em 1995, em Brasília, movida pela busca de tratamento médico para o filho. O negócio nasceu com as filhas, em casa, vendendo sob encomenda, e evoluiu para loja na 210 Norte em 1996.

A família chegou a Brasília em etapas, trazendo experiência de Minas Gerais. Márcia, a filha, trabalhou na Câmara dos Deputados; a mãe envolveu-se na cozinha e nas primeiras vendas. A demanda cresceu e a dupla abriu um espaço fixo: a loja de biscoitos mineiros.

Hoje, são seis lojas e quatro cafés. A matriarca participa ativamente da cozinha, controlando o preparo. As receitas passam de geração em geração, sem registro formal, mas com rigor no ponto de massa e no polvilho. A gestão é conduzida pela prática, pela convivência diária.

O caçula Agnaldo Júnior assumiu a operação há 12 anos. Catarina, neta, também integra a empresa. Os biscoitos que nasceram de uma cozinha de fazenda hoje chegam a diferentes bairros do DF. O espírito da família permanece: tratar o funcionário como parceiro e o cliente como quem está em casa.

Educação e cuidado

A escola de educação infantil, que atravessa três gerações, continua a ser conduzida pela família que a fundou, mantendo um modelo simples, baseado na confiança entre equipes e famílias. A instituição demonstra que a continuidade pode ocorrer sem estruturas corporativas formais desde o começo.

Casa dos animais

A maior rede de pet shops do DF nasceu da expansão de um negócio familiar, que cresceu com a participação de várias gerações. O foco é manter atendimento próximo e personalizado, reforçando a relação de confiança com clientes que acompanham a trajetória da marca.

Em todas as histórias, o fio comum é a transmissão de saberes e valores. A diferença fica por conta das oportunidades de crescimento, sempre moldadas pela convivência diária entre mães e filhos que aprendem a respeitar limites, metas e resultados.

As famílias valorizam a experiência compartilhada: a “faculdade” foi a loja, o atendimento e os cuidados que aprendem no dia a dia. O que começou sem cartório hoje se transforma em tradição preservada através das gerações.

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