O dinheiro em espécie em circulação na Argentina caiu pela metade, enquanto o governo de Javier Milei acelera a privatização da Casa da Moeda (CMA). A quantidade de notas em circulação atingiu 5,902 bilhões em maio, o menor nível desde junho de 2020. A queda acumula 50,2% desde o recorde de 11,859 bilhões em julho de 2024, conforme dados do Banco Central.
A retração ocorre num contexto de tensão social e reformas anunciadas pelo governo. O sindicato La Bancaria convocou nova greve para a próxima quarta-feira, após protestos contra o fechamento de 12 tesourarias regionais e a possível perda de 32 postos de trabalho. A medida coincide com a agenda de privatizações do CMA, apontado pelo governo como símbolo de gastos excessivos da gestão anterior.
Privatização da CMA e contexto institucional
Sem imprimir notas desde outubro de 2024, o governo mudou a CMA para uma Sociedade Anônima Unipessoal (SAU) em abril de 2025. Em 2024, o Banco Central rescindiu contratos de impressão de notas ARS$ 20.000, justificando pela elevação de custos. Desde então, o governo passou a importar notas. A medida integra um plano para privatizar a CMA e arrecadar cerca de US$ 2 bilhões, conforme lista de privatizações apresentada em 2026.
Segundo dados oficiais, a CMA contava ao fim de março com 714 funcionários, menos da metade do quadro de outubro de 2023. A intervenção na CMA incluiu nomeação para auditoria e redistribuição de funções. Enquanto isso, o Banco Central informou que a queda da cota de notas em circulação, de cerca de 6% do PIB para 2%, decorre do crescimento de pagamentos eletrônicos.
Volume de notas e uso de caixas
Mais de 62% das notas em circulação correspondem às denominações altas (1000, 2000, 10000 e 20000 pesos). Em fevereiro, houve 41,3 milhões de saques em 17.192 caixas eletrônicos, totalizando 4 bilhões de pesos. O volume de saques diminuiu mais de 60% em relação aos picos recentes. Milei aponta a redução como fruto de políticas para reduzir custos.
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