Os investimentos em saneamento avançaram com o Novo Marco Legal, mas o setor ainda busca oportunidades em resíduos. A regulamentação de 2020 prevê que aterros sanitários substituam lixões aos poucos, meta que atrasou e não deve ser concluída até 2024.
Especialistas apontam que o cenário passou a favorecer a valorização de resíduos. Empresas veem no lixo uma fonte de biogás, energia e créditos de carbono, abrindo novas frentes de negócios além da simples coleta.
Mercado em transformação
As companhias já investem em usinas de biogás e em plantas de geração de energia. Em números, o Brasil tem 19 plantas de biometano ativas e 1,2 milhão de m³/dia de capacidade, com 48 projetos em aprovação.
A expansão pode dobrar a capacidade nos próximos anos, segundo a ABiogás. Projetos adicionais podem levar a 35 milhões de m³/dia, ampliando opções de venda para prefeituras e setores industriais.
Orizon e Solví na dianteira
A Orizon, que atua em valorização de resíduos, mira o biometano como principal vetor de crescimento. A empresa já garantiu contratos de geração com biogás em leilões recentes, somando 53 MW de capacidade prevista para operação entre 2026 e 2028.
A Solví, que atua desde a coleta até a transformação de resíduos, já opera duas plantas de biometano e constrói a terceira, além de 11 usinas térmicas em funcionamento. A energia é comercializada via geração distribuída e no mercado livre.
CO2 e descarbonização
Outra frente envolve a venda de CO2 gerado na purificação do biogás. A Orizon planeja anunciar investimentos nesse campo após firmar contratos de fornecimento, que estão em negociação.
No âmbito energético, a empresa também mantém projetos de waste to energy em Barueri, resultado de um leilão de 2022. Três novos contratos de geração com biogás devem elevar a capacidade total da companhia.
Impacto para acionistas e mercado
Analistas enxergam o setor de resíduos em transformação acelerada. Áreas de atuação, como biometano e CO2, ganham relevância para receita e posição competitiva.
As ações da Orizon atingiram valorização expressiva nos últimos 12 meses, enquanto a Solví é monitorada por bancos de investimento que destacam seu potencial de IPO futuro, à medida que a empresa expande operações.
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