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Varejo adota IA, mas erra na estratégia e deixa dinheiro na mesa

Varejo adota IA, mas prioriza ações de baixo risco; desafio é transformar uso operacional em ganhos de receita e fidelização

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O varejo brasileiro reconhece que a inteligência artificial (IA) já impacta operações, mas a adoção segue priorizando tarefas de baixo risco. Pesquisa da CRMBonus com 307 executivos, entre nov 2025 e jan 2026, aponta esse viés.

Segundo o IA Survey 2026, 79% dos líderes veem impacto significativo da IA e 44% afirmam que já ocorre hoje, enquanto 35% projetam esse efeito nos próximos 12 meses. Planejamento concentra-se em marketing e e-commerce.

Marketing figura como prioridade de investimento para metade dos respondentes, com 50% citando ações de IA nesse setor. Quase metade também aponta e-commerce como foco, em 49%. No entanto, aplicações mais estratégicas ficam para segundo plano.

A prática mostra avanço em iniciativas de baixo risco operacional. Na prática de marketing, geração de criativos domina, em 69% dos casos. Recomendações de produtos por IA aparecem em 42%, integrações com plataformas externas em 37%.

No âmbito de e-commerce, chatbots e sistemas antifraude concentram a adoção, reforçando a ênfase em eficiência operacional. Áreas com potencial de impacto em conversão e faturamento ainda avançam lentamente, como a otimização de checkout, ausente em 63% das empresas.

Barreiras e oportunidades

O estudo aponta que o obstáculo principal não é dinheiro. Para 46% dos entrevistados, a maior dificuldade é a falta de conhecimento interno sobre IA. Integração com sistemas vem em segundo (36%), seguido de custo de implementação (31%).

A percepção muda o foco da transformação digital: o desafio é usar a IA de forma estratégica para ganho competitivo, não apenas acessar tecnologia. Empresas já têm ferramentas, mas perdem o potencial de ganhos maiores.

A pesquisa destaca ainda a crescente presença de IA generativa como canal de descoberta de produtos. Apenas 9% já desenvolvem estratégias para aparecer em respostas de assistentes, 28% pretendem agir nos próximos seis meses, e 40% veem o tema no médio prazo.

Tendências para o futuro

Dados indicam que o consumidor já interage com IA na jornada de compra: 45% dos clientes pesquisados utilizam IA em alguma etapa. Plataformas como ChatGPT já recebem buscas comerciais significativas globalmente.

O relatório sinaliza que o varejo brasileiro precisa ir além da adoção operacional para alcançar ganhos de receita, fidelidade e experiência. O desafio é identificar onde a IA gera vantagem competitiva real.

Em síntese, o cenário aponta urgência: reconhecer o impacto da IA é fato, mas é preciso migrar de usos táticos para aplicações capazes de sustentar crescimento e diferenciação no mercado.

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