Altos executivos e conselheiros da Estée Lauder Companies enfrentam ações judiciais em tribunais de Nova York e Delaware, acusados de enriquecimento ilícito, gestão inadequada e violação de dever fiduciário. As ações envolvem membros da família fundadora e ex-dirigentes, em meio a um contexto de fusão com a Puig.
As ações foram movidas entre 2024 e 2025 por acionistas minoritários. Os processos alegam que oito acusados venderam ações em momentos oportunos, aproveitando informações não públicas para obter ganhos. Ao todo, as transações somam 295 milhões de dólares, com indivíduos-chave respondendo por valores expressivos.
Entre os réus estão William P. Lauder, presidente do conselho, Ronald S. Lauder e Jane Lauder, ambos da família fundadora. Também figuram Fabrizio Freda, ex-CEO, Tracey T. Travis, ex-diretora financeira, e seis membros atuais do conselho. A prática seria venda de ações com acesso a informações não compartilhadas com investidores.
Os documentos apresentados à SEC indicam que acionistas apresentaram diversas queixas contra executivos atuais e anteriores. Entre os fundamentos aparecem enriquecimento ilícito, descumprimento de deberes e uso de informação privilegiada. Os processos foram protocolados em Nova York e Delaware.
A denúncia de 8 de maio de 2025 envolve cerca de 20 altos cargos da empresa. Entre eles, três membros da família fundadora, incluindo o presidente do conselho, e o ex-conselheiro delegado Fabrizio Freda. As acusações apontam para uso de informações privadas para evitar perdas nas ações.
O foco do litígio aponta para operações de venda realizadas entre fevereiro e junho de 2022, com parte relevante dos valores atribuída aos Lauder e a Freda. Segundo a denúncia, as transações ocorreram após a empresa elevar previsões, mas antes de a situação financeira real ser divulgada ao mercado.
A ação sustenta que os vendedores contaram com informação privilegiada que inflou artificialmente o preço das ações. Dessa forma, teriam se beneficiado de forma injusta durante o período de frustração de resultados e ajustes operacionais.
China e mercado de duty free
A demanda aponta ainda que a empresa ocultou impactos negativos na China, especialmente nas lojas duty free, que eram clientes-chave. Alega-se que a pressão regulatória sobre o mercado de daigou, com restrições em 2022, afetou vendas e o desempenho contábil.
Segundo a acusação, a Estée Lauder recorreu a grandes volumes de produto para o mercado cinza chinês por meio de canais de aeroporto e lojas livres de impostos. Mesmo com negação anterior, a empresa teria mantido essa prática para sustentar o crescimento.
Os autores argumentam que os diretores, principalmente os Lauder, sabiam que as vendas cairiam com a repressão aos daigou. Assim, teriam mantido informações incompletas aos investidores e não implementaram controles eficazes de divulgação. O objetivo seria reparar danos à empresa.
Próximos passos e impacto
A disputa segue em andamento nos tribunais de Nova York e Delaware. A agência reguladora SEC acompanha o caso, com documentos já apresentados pela Estée Lauder. Não houve conclusão sobre responsabilidades ou investimentos necessários para reparação dos danos.
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