Segundo dados da CNC, 80% das famílias brasileiras estão endividadas. A avaliação foi apresentada em entrevista com Rodrigo de Losso, professor da USP, que analisa as razões do endividamento no país.
Para o especialista, a inflação de alimentos atinge principalmente as camadas mais vulneráveis, reduzindo o poder de compra. Com salários estáveis, muitos recorrem a crédito para manter o consumo, gerando juros elevados e um ciclo vicioso de endividamento.
A discussão aponta que não houve apenas um fator, mas uma combinação estrutural. O custo de captação dos bancos, a inadimplência alta, a taxa Selic elevada e a tributação incidente sobre operações financeiras elevam as taxas cobradas ao consumidor.
Além disso, a taxa Selic em patamar alto encarece o crédito, refletindo-se no custo para empréstimos, cheques especiais e cartão. O risco de calote das operações também é repassado aos juros cobrados pelos bancos.
Como saída individual, o professor sugere buscar modalidades com juros menores para aliviar o peso mensal. Contudo, a solução sustentada passa pelo crescimento econômico, com expansão produtiva, geração de renda e melhoria do poder de compra das famílias.
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