A Compass, empresa de gás e energia com participação na Comgás, estreou nesta segunda-feira na bolsa brasileira. A operação é vista como uma tentativa da Cosan, controladora, de enfrentar a crise financeira que afeta seus resultados há mais de dois anos. O IPO visa reforçar o caixa da holding, não apenas investir.
A Cosan herdou dívidas elevadas para financiar expansão e aquisições. A estratégia de utilizar dívida para crescer gerou peso financeiro em 2024, quando a empresa registrou prejuízo. Entre 2022 e 2023, a holding fez movimentações que ampliaram seu endividamento.
A Vale foi alvo de uma participação relevante adquirida pela Cosan no fim de 2022, com dívidas subindo para R$ 70,7 bilhões. Em 2024, a valorização não ocorreu como esperado, e as ações da Vale recuaram junto com o minério de ferro. A alta da taxa de juros elevou os custos da operação.
Contexto financeiro
Em abril de 2024, a Cosan vendeu mais de 33 milhões de ações da Vale, levantando cerca de R$ 2 bilhões. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 9,4 bilhões em 2024 e sinalizou a venda total de sua participação na Vale para reduzir o endividamento. O ganho contábil divulgado foi de R$ 5 bilhões, mas não evitou perdas de mercado.
Paralelamente, a Raízen, empresa da qual Cosan é sócia, também enfrentou deterioração financeira. Consolidou prejuízos e, em 2026, entrou com pedido de recuperação extrajudicial, com dívidas acima de R$ 65 bilhões. A piora afeta diretamente os resultados da Cosan.
O IPO da Compass
A saída para a crise da Cosan envolve o IPO da Compass. Ao contrário de lançamentos que visam expansão, a operação busca reforçar o caixa e aliviar a pressão financeira sobre a holding. Com a abertura de capital, a Cosan reduziu sua participação na Compass de 88% para cerca de 75%.
A iniciativa marca uma tentativa de manter o equilíbrio entre as necessidades de caixa da Cosan e a continuidade dos investimentos nos seus negócios. Não houve indicativo de mudanças estratégicas adicionais anunciadas pela empresa.
Entre na conversa da comunidade