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Fim da taxa das blusinhas pode reduzir demanda por algodão no Brasil

Fim da taxa das blusinhas pode reduzir demanda interna por algodão, pressionar preços da pluma e afetar empregos e indústria têxtil

Algodão | Reprodução
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O fim da chamada taxa das blusinhas, ligada ao programa Remessa Conforme, pode reduzir a demanda interna por algodão e pressionar os preços da commodity no Brasil. A possibilidade é discutida pelo setor têxtil e por produtores.

Atualmente, cerca de um terço da produção brasileira de algodão fica no mercado interno para abastecer fio, tecido e confecção. Observa-se preocupação com o impacto sobre a cadeia caso o imposto seja encurtado ou extinto.

Mudança na demanda e possíveis efeitos

Márcio Portocarrero, da Abrapa, afirma que a retirada da taxação pode incentivar a preferência por roupas importadas vendidas online. Com isso, a demanda por algodão no país pode recuar.

A queda na demanda interna tende a levar produtores a buscar mercados externos para absorver o excedente. O risco é a pressão de preços da pluma e possível redução da área plantada.

Impacto na indústria e empregos

A Abit alerta que a revogação da taxa pode elevar a concorrência de produtos importados, principalmente da China, afetando empregos, arrecadação e produção nacionais. O consumo interno acompanha o desempenho da indústria têxtil.

Fernando Pimentel, da Abit, indica que maior entrada de importados sob plataformas internacionais tende a reduzir a produção local e, por consequência, a demanda por algodão no mercado interno.

Dados setoriais e cenário fiscal

O setor têxtil e de confecção movimenta cerca de R$ 221 bilhões por ano, segundo a Abrapa, gerando aproximadamente 1,31 milhão de empregos. Exportações somam US$ 908 milhões; importações, US$ 6,6 bilhões, gerando déficit de US$ 5,7 bilhões.

Mesmo com a taxa, compras internacionais permanecem altas. A Receita Federal informa que o Remessa Conforme já arrecadou R$ 9,6 bilhões desde agosto de 2024.

Ponto de vista do governo

O vice-presidente Geraldo Alckmin defende a manutenção da tributação para proteger a indústria de menor valor agregado. Já integrantes do governo ressaltam impactos fiscais e políticos de uma revogação.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, diz que o tema está em discussão, com efeitos sobre varejo, indústria e arrecadação.

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