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Petrobras PETR4: preços defasados reduzem margens

Paridade de preços mantém margens da Petrobras comprimidas, mesmo com lucro estável; cenário político sustenta cautela sobre reajustes

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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A Petrobras divulgou, na noite de segunda-feira (11), seus resultados do primeiro trimestre de 2026. O lucro líquido ficou em R$ 32,663 bilhões, queda de 7,2% frente ao mesmo período de 2025, mas houve alta de 109,9% em relação ao quarto trimestre de 2025. O EBITDA ajustado somou R$ 59,643 bilhões, queda de 2,4% ante o 1T de 2025.

A receita de vendas atingiu R$ 123,686 bilhões, aumento de 0,4% na comparação anual, porém caiu 2,9% frente ao quarto trimestre de 2025. As despesas operacionais avançaram para R$ 18,385 bilhões, ante R$ 18,164 bilhões no 1T de 2025. O conjunto dos dados evidencia margens pressionadas pela política de preços da empresa.

Preço defasado e cenário político

Analista da Axia Investing, Felipe Sant’Anna, afirmou que o balanço não trouxe surpresas relevantes para o mercado. O ponto de atenção segue a política de preços adotada pela Petrobras. Segundo ele, a alta internacional do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, tem impacto direto nos preços de mais países. Nos EUA, o repasse de custos elevou valores de um mês para o outro.

O analista entende que o mercado interpreta o movimento como uma decisão com viés político. A Petrobras pode manter o posicionamento de seguramento de preços para evitar impactos inflacionários, especialmente diante do calendário eleitoral recente.

Impacto sobre margens e dividendos

Sant’Anna aponta que o congelamento de preços pode limitar a geração de receita, principalmente quando o petróleo permanece acima de US$ 100 o barril. Em contrapartida, o compromisso com dividendos ficou em linha com o esperado, sem sinalizar desvantagem para investidores.

Ele lembrou que o governo é o principal receptor dessas distribuições, o que reforça o interesse público na continuidade dos pagamentos. Mesmo assim, o mercado manteve a avaliação favorável aos recebimentos da Petrobras.

Tese de investimento e riscos

Segundo o analista, a estratégia de preços não deve impactar a tese de investimento no curto prazo, nem o plano de investimentos da companhia. Contudo, permanecem dúvidas, como a Margem Equatorial, cuja definição ainda não é conhecida.

O risco político continua no radar, com a percepção de que a Petrobras não repassará rapidamente a alta do petróleo às bombas. Ainda assim, a estatal figura entre as maiores pagadoras de dividendos do mercado brasileiro.

Cenário de monitoramento

Sant’Anna destacou que o acompanhamento do cenário político é essencial para entender o desempenho da empresa. A Petrobras permanece exposta a interferência governamental, sobretudo em ano eleitoral, influenciando percepções de investidores.

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