O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira que a instituição não desviará do objetivo de controlar a inflação e que será necessária vigilância para lidar com choques de oferta que possam afetar os preços. A declaração ocorreu durante a conferência anual do BC em Brasília.
Segundo Galípolo, separar choques de oferta de efeitos de segunda ordem não é simples, sobretudo quando as expectativas estão distorcidas e o mercado de trabalho permanece apertado. Mesmo assim, o BC manterá a postura voltada ao controle inflacionário.
Dados do IBGE divulgados na terça-feira mostraram pressão contínua de alimentos e gasolina sobre o IPCA de abril, com impactos atribuídos a restrições sazonais de oferta e à guerra no Irã, que elevou cotações de petróleo.
No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,39%, aproximando-se do teto da meta de 4,5%. Economistas veem possibilidade de fechamento próximo de 5% ao fim do ano, sujeita a choques econômicos.
No Copom, o comitê sinalizou que o conflito no Oriente Médio impacta a inflação e agrava as expectativas de curto prazo. O cenário de referência para este ano aponta inflação de 4,6%, acima do teto.
Para 2027, o BC projeta IPCA de 3,5%, refletindo impactos defasados da política de juros sobre a economia. Galípolo ressaltou que o debate sobre inflação tem alcançado o cotidiano das pessoas, gerando desconfiança entre percepção e números oficiais.
O presidente explicou ainda que o desafio é manter a comunicação clara diante da dissonância entre a experiência de preço no dia a dia e os indicadores oficiais, enfatizando a função central das metas de inflação.
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