Azzas 2154, holding que controla Arezzo, FARM, Animale, Hering e Reserva, vive três crises ao mesmo tempo: resultado fraco, disputa societária entre seus dois maiores acionistas e o fim da proteção do varejo têxtil com a retirada da taxa das blusinhas. O impacto começou a ficar claro no balanço do 1º trimestre.
O balanço, divulgado no dia 7, mostrou receita bruta de R$ 3,1 bilhões, queda de 5,8% frente ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA recorrente caiu 23,2%, para R$ 329 milhões, e ficou 20,8% abaixo da projeção do BTG Pactual. Houve recuo também por parte da Hering.
Analistas destacam o papel da governança na avaliação da recuperação. O ex-controlador Roberto Jatahy obteve liminar para bloquear mudanças na Reserva, sob a alçada do CEO Alexandre Birman, reabrindo atrito interno já conhecido. A empresa confirmou a liminar e manteve a governança.
A mudança no cenário regulatório chegou no mesmo dia: Brasília zerou o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, o que ficou conhecido como a “taxa das blusinhas”. A Abvtex classificou a decisão como retrocesso econômico, elevando a pressão competitiva sobre varejo têxtil nacional.
Impactos e leituras de mercado
O JP Morgan manteve visão neutra, destacando a possibilidade de desinteresse dos investidores diante das disputas internas. O Citi manteve recomendação neutra com alto risco e sinalizou possíveis revisões de lucros futuras. O conjunto de fatores preocupa a disciplina de gastos da empresa.
Contexto operacional
Relatórios do BTG Pactual reforçam que o top line ainda deve enfrentar ajustes de margem e ganhos de receita contidos. O mercado avalia se a Azzas consegue consolidar o turnaround sem que conflitos internos prejudiquem a execução do plano. A executiva estrutura permanece inalterada.
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