BRASÍLIA, 13 Mai (Reuters) – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira que choques de oferta observados recentemente impõem desafio especial à autoridade monetária, pois afetam a percepção sobre o trabalho do BC, ainda que seus instrumentos tenham sido desenhados para outra tempestade.
Em conferência na sede do BC, ele disse que esse ambiente de incerteza, aliado a um mercado de trabalho firme e a expectativas de mercado desancoradas, exige vigilância ainda maior por parte da autarquia.
O dirigente ressaltou que o país já viveu quatro choques de oferta em menos de seis anos, o que gera uma dissonância difícil para bancos centrais que visam inflação estável.
Segundo Galípolo, elevar juros encarece o crédito, reduzindo consumo e, por consequência, a demanda, o que demonstra a diferença entre choques de demanda e de oferta, especialmente em cenários como o petróleo.
Ele reiterou que o BC não deve abandonar o objetivo central de controlar a inflação, cuja meta permanece em 3% ao ano.
Sobre a política monetária, o BC vem promovendo cortes graduais da Selic, hoje em 14,50% ao ano, sob a justificativa de calibração, ainda com juros considerados restritivos.
O BC também tem sinalizado que o ciclo de redução deverá encerrar com a taxa ainda elevada diante de incertezas, incluindo o conflito no Oriente Médio.
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