O Banco do Brasil registrou queda expressiva no lucro no primeiro trimestre de 2026, pressionado pela inadimplência no crédito rural. O lucro líquido ajustado foi de R$ 3,4 bilhões, 54% abaixo do mesmo período de 2025. A instituição também revisou a projeção de lucro para o ano.
A carteira de crédito total avançou 2,2% em 12 meses, para R$ 1,3 trilhão. O crédito ao agro chegou a R$ 418,4 bilhões. A inadimplência do agronegócio alcançou 6,22%, frente a 2,72% há 12 meses, elevando o custo financeiro do portfólio rural.
Inadimplência no agro eleva provisões
A provisão para perdas subiu para R$ 16,8 bilhões, alta de 46% em 12 meses. O recuo do lucro decorre principalmente do aumento de perdas esperadas com produtores rurais e do impacto da inadimplência no setor.
A inadimplência acima de 90 dias no agronegócio subiu para 6,22% da carteira rural, ante 2,72% há um ano. A inadimplência total do banco ficou em 5,05%.
Projeção de lucro revisada
O BB reduziu a faixa de lucro para 2026, de R$ 22 bilhões–R$ 26 bilhões para R$ 18 bilhões–R$ 22 bilhões. O banco aponta como razões o pior cenário para o agronegócio, incertezas geopolíticas e frentes macroeconômicas.
A rentabilidade, medida pelo ROE, caiu de 16,7% para 7,3% em 12 meses, ficando abaixo do 12,4% registrado no quarto trimestre de 2025.
Medidas para mitigar impactos
O BB informou reforçar cobrança e renegociação de dívidas no setor agro. O programa BB Regulariza Dívidas Agro já renegociou R$ 37,9 bilhões, com 73 mil operações repactuadas e cerca de 25,5 mil produtores atendidos.
A instituição também ampliou o uso de garantias e intensificou ações legais para recuperação de crédito, buscando reduzir perdas futuras no portfólio rural.
Carteira permanece estável, crédito cresce
Mesmo diante do aperto, a carteira total de crédito cresceu 2,2% em 12 meses, chegando a R$ 1,3 trilhão. Os ativos totais fecharam o trimestre em R$ 2,6 trilhões e o patrimônio líquido em R$ 194,9 bilhões.
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