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Poupança pela liberdade: cadernetas de escravizados revelam alforria no XIX

Caixa reúne 158 cadernetas de poupança de escravizados para indicar trajetória de alforria; MPF exige investigação mais ampla e superação de lacunas

Homens e mulheres escravizados trabalhando em fazenda de café no Brasil — Foto: NY Public Library
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A Caixa Econômica Federal mapeou 158 cadernetas de poupança de pessoas escravizadas no século XIX, preservadas pela instituição. O levantamento aponta que o dinheiro poupado servia para alcançar a alforria, não apenas para guardar bens. O estudo acompanha registros datados entre 1861 e 1888.

Entre os exemplos, Theobaldo acumulou mais de 522 mil réis, com o objetivo de indenizar o antigo senhor por meio do Fundo de Emancipação. Custódia também conseguiu sacar o saldo após depósito constante, buscando a liberdade.

Casos de negociação aparecem com Joanna, que transferiu a caderneta ao senhor após conquistar liberdade mediante pagamento de 600 mil réis. Antonia retirou 134 mil réis apresentando a Carta de Liberdade à Caixa.

As cadernetas também revelam redes de solidariedade familiar. Izabel Viegas Muniz transferiu o saldo ao filho Manoel, ainda escravizado, para facilitar a liberdade dele. Francisco das Chagas e Oliveira abriu conta para comprar a alforria da esposa Thereza.

O levantamento aponta fatores que dificultam a leitura completa do fenômeno. Especialistas e o MPF destacam falhas metodológicas, lacunas documentais e recorte geográfico restrito, limitando a visão nacional.

O que o MPF cobra

O MPF pediu à Caixa a composição da equipe e o total de livros de conta corrente no acervo. Também solicitou visitas técnicas do Arquivo Nacional e do IPHAN para checagem de preservação e organização dos documentos.

A investigação busca entender se recursos não resgatados integram o patrimônio institucional ou se houve mecanismos de devolução após a morte dos titulares. A liquidação isolada não permite identificar quem sacou os valores.

Contexto histórico e internacional

O tema dialoga com o debate global sobre reparações pela escravidão. Bancos europeus e norte-americanos têm reconhecimento de vínculos históricos e fundos voltados a descendentes de escravizados. No Brasil, políticas estruturais de reparação ainda não foram implementadas.

Entre propostas discutidas estão fundos de memória, investimentos em políticas públicas e programas coletivos de reparação social, com ênfase na preservação documental.

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