As registradoras Quick Soft e SPC Grafeno iniciaram nesta semana o segundo ciclo de testes da duplicata escritural, a versão digital do título de crédito que representa vendas a prazo. Os ensaios seguiram o mesmo caminho traçado por B3, Núclea e Cerc, após atrasos e impasses entre participantes.
Ao longo das próximas semanas, cada registradora fará testes isolados, para depois verificar conexões entre sistemas em uma segunda etapa. O objetivo é criar uma estrutura interoperável que permita acesso padronizado e seguro a todos os elos da cadeia.
Os testes anteriores revelaram que o cronograma de 60 dias não foi suficiente devido à complexidade da operação. Pelo menos 20 cenários precisaram de ajustes, com demanda de aprovação do Banco Central e atraso na divulgação do relatório de certificação da Grant Thornton.
Entre as divergências, a SPC Grafeno foi afastada do primeiro ciclo após uma falha identificada pela auditoria, que considerou o exercício irregular. A empresa contestou, mas a decisão de manter a suspensão foi mantida em votação entre as registradoras.
Em março, empresas remanescentes indicaram necessidade de mais tempo para avançar, levando o comitê das signatárias a aprovar a prorrogação em nova votação, segundo fontes. O episódio evidenciou tensões internas entre as partes.
Para além das questões técnicas, o caso suscitou críticas de gestores da Quick Soft. O CEO Lucas Fiuza afirmou que a extensão pode favorecer a competição entre registradoras, o que, na visão dele, não seria saudável.
Agora, B3, Cerc e Núclea aguardam autorização do Banco Central para atuar como entidades escrituradoras. Com a anuência, o próximo estágio controlado terá um grupo seleto de clientes. O BC prevê duração de seis meses para esse procedimento.
A adoção obrigatória ocorrerá gradualmente a partir de 2027 e deve se estender até meados de 2028. Inicialmente, bancos registrarão duplicatas no modelo escritural para grandes empresas; depois, a exigência alcançará companhias menores.
Hoje, segundo estimativas da indústria, o mercado de duplicatas em formato mercantil movimenta cerca de 10 trilhões de reais por ano. A expectativa é que o novo balcão facilite operações com vencimentos mais longos e tickets maior valor.
As mudanças visam destravar o mercado e reduzir gargalos técnicos que atrasaram a certificação. O objetivo final é permitir interoperabilidade robusta entre bancos, registradoras e empresas, de forma segura e padronizada.
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