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Fim da taxa das blusinhas pode impactar a campanha de Lula

Fim da taxa das blusinhas pode aliviar o bolso de famílias de baixa renda; efeito eleitoral é modesto, avaliam analistas

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Desde sancionada por Lula após aprovação no Congresso em 2024, a chamada “taxa das blusinhas” foi alvo de críticas e, agora, tem fim anunciado pelo governo. A medida, que incidia 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress, será revogada.

O anúncio ocorreu na terça-feira (12/5). O governo afirma que a revogação reduz impostos sobre consumo popular e pode influenciar a percepção pública em um ano eleitoral, somando-se a outras ações de estímulo à renda.

O que aconteceu, quem está envolvido e quando

O Ministério do Planejamento e Orçamento informou o fim da taxa, criada em junho de 2024, como parte de um conjunto de medidas para manter o poder de compra da população. O tema tem impacto direto sobre a arrecadação de importação, já que, nos quatro primeiros meses de 2026, o governo registrou R$ 1,78 bilhão em receitas de importação decorrentes da taxa. Em 2025, o montante alcançou R$ 5 bilhões.

Por que e quais impactos

Bruno Moretti, ministro do Planejamento, afirmou que a isenção beneficia o consumo popular, especialmente entre as camadas mais pobres. Ele destacou que a maior parte das compras é de baixo valor, sugerindo que a revogação não prejudica a indústria nacional. Ainda assim, a medida gerou reação de associações do setor têxtil, que a classificaram como retrocesso econômico e ataque às empresas nacionais.

Reações e leituras técnicas

Especialistas divergem sobre o efeito eleitoral. Para Yuri Sanches, da AtlasIntel, a revogação pode trazer benefício pontual ao governo, sem alterar a tendência de apoio. Já o economista Hilton Fernandes, da FESPSP, vê a medida como vacina contra ataques oposicionistas, com impacto limitado na popularidade.

A pauta também envolve o contexto eleitoral, incluindo outras ações do governo para conter custos de vida, como o fim de subsídios a combustíveis em parte e a ampliação de programas sociais. A eleição de 2026 permanece marcada por disputas entre políticas públicas e mensagens de gestão econômica.

Outros componentes do pacote econômico

Além da retirada da taxa, o governo tem adotado medidas para conter inflação e juros, como a expansão de crédito e o reajuste de programas de assistência. Entre as ações, destacam-se o Crédito do Trabalhador, com uso do saldo do FGTS como garantia, e o fortalecimento de programas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida.

Contexto fiscal e cenário

Especialistas apontam que a combinação de estímulos e gastos pode pressionar a inflação e elevar a dívida pública, ainda que haja defensores que enfatizam a necessidade de manter o crescimento econômico. A taxa Selic, que estava em 14,5% ao ano, tem sido um ponto de equilíbrio entre controle da inflação e estímulo ao crescimento.

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