O gasto dos municípios brasileiros com segurança pública cresceu 66% entre 2016 e 2025, segundo levantamento da CNM com dados corrigidos pela inflação. Em contrapartida, os gastos dos estados cresceram 25% e os da União, 12% no mesmo período.
Ao todo, as despesas com segurança somaram 12,4 bilhões de reais em 2025, ante 7,4 bilhões em 2016. Mesmo com o ritmo mais acelerado, municípios respondem por apenas 7% do gasto nacional, frente a 84% dos estados e 9% da União.
A expansão municipal é atribuída, principalmente, à ampliação das guardas municipais e ao fortalecimento das ações da Defesa Civil, segundo a CNM. Dados do IBGE indicam 1.322 municípios com força de segurança em 2023, acima de 993 em 2012.
Motivos do crescimento municipal
Entre 2016 e 2025, o investimento em policiamento municipal subiu de 3,4 bilhões para 5,8 bilhões de reais. Despesas administrativas, incluindo folha de pagamento, também cresceram, de 2,4 bilhões para 4,1 bilhões no período.
Para os estados, o padrão é inverso: a maior parcela fica com despesas administrativas, seguidas de policiamento. Em 2025, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro lideraram o aumento de gastos estaduais, com acréscimos próximos de 3 bilhões de reais cada um.
Perspectivas e políticas públicas
A União mantém participação maior, porém com crescimento federal mais contido, de 1,3% ao ano. Se a tendência atual persistir, o gasto dos municípios pode ultrapassar o da União nos próximos anos, aponta a CNM.
A PEC da Segurança Pública, em tramitação no Senado, prevê a criação de polícias municipais padronizadas e condicionadas a capacidade financeira dos municípios. Críticos dizem que isso transferiria responsabilidades sem garantias de recursos suficientes.
Análise de especialistas e impactos
O coronel reformado Benedito Meira afirma que a demanda de policiamento supera a redução do efetivo nas polícias estaduais. Ele defende diretrizes nacionais para formação e atuação das guardas, com uma doutrina única no país.
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