O Nubank viu suas ações caírem na NYSE após divulgar resultado trimestral com aumento expressivo das provisões para devedores duvidosos (PDD). O recuo ocorreu por volta das 12h35 (horário de Brasília), após a divulgação noturna dos números do primeiro trimestre.
A empresa informou lucro líquido de US$ 871,4 milhões, queda de 5% frente ao trimestre anterior e abaixo das expectativas de analistas. O destaque ficou para o aumento de 33% nas PDD, para US$ 1,79 bilhão, superando a expansão da carteira de crédito, de 7%, para US$ 37,2 bilhões.
O Itaú BBA lembrou que a instituição registrou 154% da formação de créditos não perfomados como provisionamento. Segundo o relatório, a transição de estágios foi corrigida no trimestre, com a receita líquida de juros ajustada ao risco caindo 4% em relação ao período anterior.
Na análise, as despesas operacionais permaneceram estáveis, enquanto a eficiência melhorou. O lucro antes dos impostos ficou acima do estimado em 10%, mas a alíquota de IR mais alta do que o previsto limitou o resultado líquido.
A carteira de crédito da Nubank cresceu acima das estimativas, impulsionada por cartões de crédito, que avançaram 36% em 12 meses para US$ 24,3 bilhões. Empréstimos sem garantia somaram US$ 9,9 bilhões, com consignado e crédito imobiliário representando 8% do mix, mas crescendo 38% ante o ano anterior.
A base de clientes totalizou 135,2 milhões, com ganho de 4,2 milhões no trimestre. A receita média por cliente ativo no Brasil subiu 23% versus o ano anterior, para US$ 15,9, refletindo monetização acelerada.
Analistas destacaram que o aumento das provisões acompanha a evolução da carteira e da qualidade de ativos. O tom do mercado indicou que a Nubank está bem posicionada para enfrentar ciclos de crédito mais desafiadores no Brasil, mesmo diante de pressões de provisões.
As ações da Nubank vinham sendo negociadas a múltiplos baixos, com avaliações de compra feitas por bancos, apontando para potencial de valorização nos próximos 12 meses. O time de análise do Itaú BBA manteve nota de compra, com preço-alvo de US$ 20 para 2026.
O BTG Pactual também recomendou compra, estimando um preço justo de US$ 22 em 12 meses. Mesmo com recuo após o after market, a equipe ressaltou que a administração reiterou que o aumento das provisões está alinhado com a dinâmica esperada do portfólio.
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