A Oncoclínicas vive o momento mais delicado desde a abertura de capital em 2021. A ação despencou de R$ 19,75 no IPO para menos de R$ 1,20. Ao mesmo tempo, cresce a pressão para uma oferta pública de aquisição pelos minoritários.
A disputa envolve a Centaurus Brazil Holdings, que ultrapassou 15% do capital até o fim de 2024, levando à obrigação de lançar OPA conforme o estatuto. Centaurus e Oncoclínicas não reconheceram a obrigação; minoritários recorreram à CVM.
A solicitação de avaliação da OPA foi enviada ao Colegiado da CVM nesta semana. O recurso foi confirmado pela Abraicc, que representa os minoritários, através do advogado Felipe Demori.
A OPA deveria considerar a maior cotação dos 12 meses anteriores, multiplicada por 1,2, o que sinaliza aproximadamente R$ 16 por ação. O desembolso total ficaria próximo de R$ 6 bilhões.
Paralelo à disputa, a empresa enfrenta queda de resultado no 1º trimestre. O EBITDA ajustado ficou negativo em R$ 68 milhões, contra a previsão de lucro de R$ 214 milhões.
A rejeição de medicamentos e atrasos em quimioterapia reduziram a receita bruta no período. O fluxo de caixa operacional ficou negativo, em R$ 153 milhões, ampliando a pressão sobre a liquidez.
No conselho, Latache é o acionista relevante, com 14,62% e cinco assentos. Outros investidores importantes apoiam a busca por OPA, enquanto Centaurus e Goldman Sachs resistem, amparados por pareceres jurídicos.
Em relação ao balanço, a empresa informou medidas para preservar liquidez, manter atendimento aos pacientes e readequar a estrutura de capital. A dívida líquida chegou a R$ 3,27 bilhões em março.
Em 12 meses encerrados em março, o EBITDA ajustado da Oncoclínicas foi de aproximadamente R$ 628 milhões, segundo a companhia. O banco BTG Pactual classificou o momento como desafiador.
Além das questões societárias, há uma frente no exterior. Em Manhattan, há pedido de produção de provas contra o Goldman Sachs sobre a descrição da participação no prospecto do IPO de 2021.
A companhia afirmou que está dialogando com credores para readequar o perfil de amortização da dívida. O objetivo é preservar a qualidade assistencial e a continuidade do cuidado aos pacientes.
No âmbito operacional, a Oncoclínicas informou ter realizado ajustes para reduzir exposição a fontes pagadoras com maior consumo de capital de giro. A receita bruta trimestral foi de R$ 1,5 bilhão; 12 meses, R$ 6,1 bilhões.
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