A guerra no Irã elevou os preços do petróleo e aumentou a atenção sobre insumos ligados à energia para as construtoras brasileiras. A Cyrela informou que alguns insumos já ficaram mais caros, mas o efeito sobre resultados ainda é limitado, segundo o CFO Miguel Mickelberg. O gestor aguarda desdobramentos geopolíticos para medir o impacto final.
Ele destacou que, no cenário atual, a alta de INCC deve ficar na casa de cerca de 1%, o que levaria o índice a 7%-8% em 2026. Contratos de média e alta renda costumam ser corrigidos pelo INCC, o que ajuda a proteger margens, disse o executivo.
O cenário macroinclui inadimplência e juros elevados, pontos de atenção para a Cyrela, conforme o CFO. Ainda assim, ele não prevê mudança no planejamento de lançamentos para o ano, citando boa velocidade de venda e margens estáveis.
Resultados do 1º tri
O lucro líquido do 1º tri de 2026 foi de R$ 297 milhões, queda de 9% frente ao mesmo período de 2025. O recuo é atribuído a fatores pontuais, entre eles o resultado financeiro.
A Cyrela pagou dividendos extraordinários de R$ 1 bilhão em dezembro, o que impactou o quarto trimestre de 2025. No 1º tri, o caixa esteve mais baixo e a dívida líquida mais alta, comprimindo o resultado financeiro.
As despesas também foram pressionadas pelo carnaval e férias escolares, com maior depreciação. O efeito impactou as despesas comerciais, que subiram 38% ante o 1º tri de 2025, considerado atípico e com reversão esperada.
Houve queda no número de lançamentos, de 18 para 12 empreendimentos, com VGV de R$ 1,75 bilhão, 48% abaixo do 1º tri de 2025. O recuo reflete uma base de comparação forte no ano anterior.
A participação do segmento de alto padrão caiu de 61% para 34% do VGV no trimestre. A Cyrela projeta ampliar o foco na baixa renda, com Vivaz respondendo por 30% do VGV, expectativa de 35%-39% no ano.
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